Líder do PL diz que partido votará fim da 6x1 e pedirá escala 4x3
Sóstenes Cavalcante afirmou que sigla apresentará destaque em defesa de quatro dias trabalhados e três de descanso; Erika Hilton critica "manobra" da oposição
O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou nesta terça-feira (26) que a sigla votará nesta quarta (27) pelo fim da escala de trabalho 6x1 e apresentará um destaque em defesa da jornada 4x3 — quatro dias trabalhados e três de descanso. A declaração foi feita em discurso na tribuna da Câmara, na véspera da votação do parecer do relator na comissão especial que discute a Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
"Já que querem ajudar o trabalhador, eu quero ver amanhã os petistas botando a sua digital. Nós vamos votar o fim da escala 6x1 para aprovar como destaque, de preferência, a jornada de quatro dias trabalhados para o trabalhador descansar três. É isto que amanhã nós apresentaremos ao plenário desta Casa", disse Sóstenes.
Cronograma da votação
A comissão especial deve votar nesta quarta-feira (27) o parecer do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA). O texto propõe a redução da jornada atual de 44 horas semanais para 40 horas, com dois dias de descanso, após um período de transição de até 14 meses da aprovação da emenda constitucional.
Após uma semana de atraso no cronograma, Prates apresentou seu relatório na última segunda-feira (25). No entanto, um pedido de vista do deputado Mauricio Marcon (PL-RS) adiou a votação. Para que fossem cumpridas duas sessões em plenário e a votação fosse retomada, a Câmara realizou na manhã desta terça uma sessão simbólica de oito minutos, sem votações.
A ideia é que, uma vez analisada na comissão especial, a matéria siga para votação no plenário da Câmara ainda nesta quarta-feira (27).
Governo vê texto enxuto
De acordo com apuração da analista da CNN Brasil Isabel Mega, o governo avalia o texto do relator como "enxuto" e sem espaço para mudanças substanciais. O parecer prevê que o início da redução da jornada de trabalho ocorra 60 dias após a promulgação do texto.
Caso o fim da escala 6x1 seja aprovado pelo Congresso Nacional, os trabalhadores passarão a ter dois dias de folga na semana — um deles, preferencialmente, aos domingos.
Erika Hilton critica mudança de posição do PL
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), autora da proposta que reduz a jornada de trabalho, criticou à CNN Brasil a mudança de posição do PL. Para ela, trata-se de uma manobra política.
"É mais uma manobra do partido que foi o tempo todo contrário à matéria e trabalhou para não avançar o texto", declarou Erika.
A parlamentar ressaltou que os deputados de oposição têm sido cobrados pela sociedade sobre o assunto e que a mudança de discurso seria, na visão dela, uma "tentativa de limpar a própria barra".
"Vamos ver se manterão essa posição até o final, mas isso é claramente uma manobra para tentar atrasar a votação que já está acordada", concluiu.
O que está em jogo
A PEC do fim da escala 6x1 é considerada uma das principais bandeiras trabalhistas do governo e uma resposta à mobilização popular liderada por jovens nas redes sociais. Para ser aprovada, a proposta precisa do apoio de, no mínimo, 308 deputados em dois turnos de votação no plenário da Câmara, além de 49 senadores.
A proposta do PL de avançar para uma jornada 4x3 (quatro dias trabalhados e três de descanso) é vista por especialistas como ainda mais desafiadora do ponto de vista econômico e de produtividade, mas tem apelo popular.
A expectativa para a votação desta quarta-feira (27) é de grande mobilização de ambos os lados da discussão, com sindicatos e movimentos sociais acompanhando de perto os passos dos parlamentares.
Fonte: CNN Brasil

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