Estado conta com 10 escolas médicas e 801 vagas anuais; capital Porto Velho concentra metade dos profissionais e tem índice de 4,51 médicos por mil habitantes
Porto Velho (RO) – Rondônia possui atualmente 4.618 médicos registrados, o que corresponde a uma taxa de 2,64 profissionais para cada grupo de mil habitantes. Os dados fazem parte de um levantamento demográfico da medicina no estado, que também revela um cenário de distribuição desigual entre a capital e o interior.
Enquanto Porto Velho concentra 2.323 médicos (pouco mais da metade do total estadual), com uma taxa de 4,51 profissionais por mil habitantes, os demais 51 municípios do estado somam 2.295 médicos, com taxa de apenas 1,86 por mil habitantes – menos da metade do índice da capital.
Perfil dos profissionais: maioria homens e generalistas
A pesquisa também traçou o perfil dos médicos que atuam em Rondônia:
Gênero: 51,2% são homens e 48,8% mulheres – praticamente uma divisão equilibrada
Idade: 34,3% dos médicos têm até 35 anos, enquanto 17,2% possuem 65 anos ou mais
Especialização: 53,5% são generalistas (sem título de especialista) e 46,5% são especialistas
Razão especialista/generalista: 0,87 – ou seja, há menos especialistas do que generalistas no estado
Esse último dado é relevante porque indica uma carência relativa de profissionais com formação especializada, o que pode impactar a oferta de serviços de maior complexidade no sistema de saúde estadual.
Formação: 10 escolas médicas e 801 vagas por ano
Rondônia conta atualmente com 10 escolas de medicina, que oferecem 801 vagas anuais de graduação. Esse número representa 1,7% do total de vagas de medicina do país.
Em relação à população, o estado tem 216,29 estudantes de medicina por 100 mil habitantes – um número expressivo, considerando a média nacional.
Residência médica ainda é desafio
Apesar do número elevado de vagas de graduação, a oferta de residência médica em Rondônia ainda é limitada:
23 programas de residência médica em funcionamento
175 médicos residentes atualmente em formação
0,4% do total de residentes do país estão em Rondônia
Taxa de 10,02 médicos residentes por 100 mil habitantes
Esse gargalo é crítico: forma-se um grande número de médicos generalistas no estado, mas faltam vagas de especialização para retê-los e qualificá-los para atender à demanda local por especialidades.
Onde atuam os especialistas?
O levantamento detalhou a distribuição de médicos especialistas por área em Rondônia. As especialidades com maior número de profissionais são:
| Especialidade | Número de médicos |
|---|---|
| Cirurgia Geral | 271 |
| Ginecologia e Obstetrícia | 243 |
| Clínica Médica | 206 |
| Pediatria | 170 |
| Medicina do Tráfego | 138 |
| Anestesiologia | 131 |
| Ortopedia e Traumatologia | 115 |
| Cardiologia | 118 |
| Medicina de Família e Comunidade | 101 |
Já as especialidades com menor oferta – algumas com apenas 1 profissional em todo o estado – incluem:
Genética Médica (1)
Medicina Esportiva (1)
Medicina Nuclear (8)
Cirurgia Torácica (5)
Coloproctologia (5)
Cirurgia da Mão (5)
Medicina Preventiva e Social (5)
Algumas especialidades, como Radioterapia, Nefrologia, Oncologia Clínica e Reumatologia, aparecem na imagem com campos em branco, o que pode indicar ausência ou número muito reduzido (não informado).
Comparação com a média nacional
Para efeito de contexto:
Média nacional de médicos por mil habitantes: cerca de 2,98 (dados mais recentes)
Rondônia: 2,64 – ligeiramente abaixo da média brasileira
Porto Velho: 4,51 – acima da média nacional e da maioria das capitais da região Norte
Interior do estado: 1,86 – bem abaixo do ideal, segundo parâmetros da Organização Mundial da Saúde (que recomenda 2,5 a 3 médicos por mil habitantes)
Desafios e perspectivas
Os dados revelam três desafios principais para a área da saúde em Rondônia:
Desigualdade regional – a capital concentra metade dos médicos, enquanto o interior tem menos da metade da taxa recomendada
Carência de especialistas – 53,5% dos médicos são generalistas; especialidades de alta complexidade têm oferta muito reduzida
Baixa oferta de residência médica – apenas 175 residentes para um estado de quase 1,8 milhão de habitantes
A existência de 10 escolas médicas e 801 vagas anuais de graduação é um ponto positivo para a formação de novos profissionais. No entanto, sem a correspondente expansão dos programas de residência, o estado corre o risco de formar médicos generalistas que, por falta de oportunidade de especialização local, acabam migrando para outros estados ou atuando em áreas para as quais não têm treinamento específico.
Especialistas defendem que o crescimento das vagas de medicina seja acompanhado por um plano de ampliação da residência médica, com incentivos para fixação de especialistas no interior e políticas de distribuição mais equânime dos profissionais.
Os dados foram solicitados ao MEC por meio da LAI (Lei de Acesso a Informação) pelo grupo de pesquisa Demografia Médica no Brasil, da FMUSP, que há 15 anos acompanha a oferta de médicos e de cursos de medicina. Parte deles não estava na base pública oficial do MEC (cadastro e-MEC).
Fonte: Elaboração dos autores com base em dados do CFM (Conselho Federal de Medicina), AMS (Associação Médica de Rondônia), e-MEC, Inep/MEC e IBGE.

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