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Polícia prende 10 suspeitos de invadir conta gov.br de empresário e movimentar R$ 3,5 milhões



Golpistas usaram documentos falsos, VPNs e contas de terceiros para assumir controle de empresa; prisões ocorreram em 5 estados, incluindo Rondônia.


Porto Velho - RO – A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu 10 pessoas suspeitas de invadir a conta da plataforma gov.br de um empresário do DF e, a partir daí, assumir o controle de uma empresa do ramo de material de construção localizada em Planaltina. O prejuízo estimado à vítima é de cerca de R$ 3,5 milhões.

O crime aconteceu em fevereiro de 2025, e as investigações levaram à deflagração de uma operação que cumpriu mandados de prisão em cinco estados brasileiros:

  • São Paulo (SP): 2 prisões

  • Porto Velho (RO): 2 prisões

  • Foz do Iguaçu (PR): 3 prisões

  • Ceará (CE): 2 prisões

  • Rio Grande do Sul (RS): 1 prisão

Como funcionava o esquema?

De acordo com a PCDF, os criminosos utilizavam técnicas avançadas para enganar as vítimas e as instituições financeiras. O modus operandi incluía:

  1. Engenharia social: os suspeitos manipulavam pessoas para obter informações confidenciais.

  2. Falsificação de documentos: produziam identidades falsas para se passar por terceiros.

  3. Invasão da conta gov.br: com acesso à plataforma, conseguiam alterar dados cadastrais da empresa da vítima.

  4. Transferência de titularidade: a empresa era transferida para nomes de "laranjas" (pessoas que cediam os próprios dados em troca de pagamento).

  5. Abertura de contas bancárias: contas eram abertas em nome dessas pessoas para movimentar o dinheiro obtido ilegalmente.

Além disso, o grupo simulava transações comerciais com emissão de notas fiscais falsas, criando créditos fictícios que eram negociados com empresas do setor financeiro, dando aparência de legalidade ao esquema.

Jovem recebeu R$ 50 mil para ceder os próprios dados

Um exemplo de como o esquema recrutava "laranjas" é o caso de uma jovem de 22 anos, moradora de Foz do Iguaçu (PR). Segundo a Polícia Civil, ela teria recebido cerca de R$ 50 mil para ceder seus dados pessoais, que foram usados na fraude.

Ferramentas para dificultar o rastreamento

A organização criminosa utilizava recursos tecnológicos para evitar ser identificada:

  • VPNs (redes virtuais privadas) para mascarar a localização e o IP dos envolvidos

  • E-mails descartáveis para comunicações temporárias e anônimas

  • Dados de terceiros (laranjas) para abrir contas e registrar empresas

Segundo a PCDF, o grupo atuava de forma coordenada entre pelo menos 12 integrantes, espalhados por estados como Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Rondônia e Rio Grande do Sul.

Bloqueio de bens e imóveis sequestrados

A Justiça determinou medidas para ressarcir, ainda que parcialmente, o prejuízo da vítima:

  • Bloqueio de até R$ 3,5 milhões em contas bancárias dos investigados

  • Sequestro de imóveis comprados com o dinheiro do golpe, entre eles:

    • Um apartamento em Foz do Iguaçu (PR)

    • Três imóveis em Porto Velho (RO)

Quais crimes os suspeitos podem responder?

Os presos podem ser indiciados por diversos crimes, cujas penas somadas podem ultrapassar 25 anos de reclusão:

CrimeDescrição
Estelionato eletrônicoObter vantagem ilícita por meio de sistemas eletrônicos
Falsificação de documento públicoProduzir ou alterar documentos oficiais
Uso de documento falsoUtilizar documentos adulterados como se fossem verdadeiros
Falsa identidadeAtribuir-se falsamente a identidade de outra pessoa
Organização criminosaAssociação de 4 ou mais pessoas para prática de crimes

Como se proteger de golpes no gov.br?

Especialistas em segurança digital recomendam:

  • Nunca compartilhe sua senha do gov.br com terceiros

  • Ative a verificação em duas etapas (autenticação de dois fatores) sempre que disponível

  • Desconfie de ligações, e-mails ou mensagens pedindo dados pessoais ou acesso remoto ao computador

  • Monitore regularmente suas contas e o cadastro da sua empresa no portal gov.br

  • Em caso de suspeita de invasão, mude imediatamente a senha e comunique a polícia


Fonte: g1 DF / Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF)
Reportagem: Ana Lídia Araújo
Data: 13 de maio de 2026 (atualizado em 14 de maio de 2026)

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