Empresas como a startup GetNinjas, em São Paulo, enfeitou o ambiente de trabalho para a Copa do Mundo e permitirá que funcionários assistam aos jogos em casa ou no próprio escritório — Foto: Marcelo Brandt/G1
Seleção joga em dias úteis na fase de grupos; especialistas explicam regras sobre liberação, compensação de horas e faltas durante o expedienteCom a divulgação da lista de convocados para a Copa do Mundo de 2026, uma dúvida volta a rondar os trabalhadores brasileiros: afinal, a empresa é obrigada a liberar o funcionário nos dias de jogo da Seleção? A resposta, segundo especialistas em direito trabalhista, é não. A legislação brasileira não considera dia de jogo do Brasil como feriado nem prevê folga obrigatória.
Isso significa que, por lei, o expediente continua normalmente — independentemente do horário da partida, da fase da competição ou da importância do confronto. A liberação, quando acontece, depende exclusivamente da decisão de cada empresa.
Dias e horários dos jogos do Brasil na primeira fase
A Seleção Brasileira estreia na Copa do dia 13 de junho, em um sábado. Os dois jogos seguintes, no entanto, caem em dias úteis:
13 de junho (sábado, 19h): Brasil x Marrocos — Nova York
19 de junho (sexta-feira, 22h): Brasil x Haiti — Filadélfia
24 de junho (quarta-feira, 19h): Brasil x Escócia — Miami
Se o Brasil avançar para as fases seguintes, novos jogos em dias úteis podem acontecer, o que prolonga a situação para quem trabalha no período noturno ou em horários coincidentes com as partidas.
O que a lei diz sobre folga nos dias de jogo?
De acordo com o advogado Marcel Zangiácomo, sócio do escritório Galvão Villani, Navarro, Zangiácomo e Bardella Advogados, a legislação trabalhista não cria nenhuma exceção para a Copa do Mundo.
"Dia de jogo da Seleção não é feriado. A jornada regular de trabalho continua valendo", resume o especialista.
Isso quer dizer que:
Não há obrigação legal de liberar funcionários
Não há direito garantido a folga ou redução de expediente
Assistir ao jogo durante o trabalho sem autorização pode ser considerado indisciplina
Como as empresas costumam agir?
Embora não haja obrigação, muitos empregadores adotam práticas flexíveis durante a Copa. Entre as mais comuns estão:
Liberar os funcionários sem desconto (folga remunerada)
Reduzir a jornada no dia dos jogos
Permitir que os trabalhadores assistam às partidas no próprio ambiente de trabalho
Suspender o expediente por algumas horas, retomando as atividades após o jogo
Todas essas medidas dependem exclusivamente da vontade do empregador e devem ser comunicadas com clareza para evitar mal-entendidos.
E a compensação de horas?
Quando a empresa libera o funcionário durante o expediente, pode exigir a compensação das horas não trabalhadas. O advogado explica que essa reposição:
Precisa ser combinada previamente
Não pode ultrapassar duas horas extras por dia
Pode ser feita em até um ano, desde que o acordo seja formalizado (individual verbal, individual escrito ou coletivo)
"A compensação precisa ser clara para evitar que o trabalhador seja surpreendido depois", alerta Zangiácomo.
E se o funcionário faltar por conta própria?
Faltar ao trabalho para assistir a um jogo sem avisar ou negociar antes é considerado falta injustificada. As consequências incluem:
Desconto das horas não trabalhadas
Perda do descanso semanal remunerado (DSR)
Advertências ou suspensões em caso de reincidência
Os especialistas ressaltam que, isoladamente, uma falta para ver a Copa não configura justa causa — mas a repetição do comportamento pode levar a punições mais severas.
Setores essenciais: regras ainda mais rígidas
Trabalhadores da saúde, transporte, segurança, serviços de atendimento ao público e outros setores com operação ininterrupta enfrentam mais dificuldades. Segundo Zangiácomo:
"A empresa não pode comprometer atividades essenciais por causa da Copa."
Nesses casos, a liberação é mais rara e depende de acordos individuais entre o funcionário e seu superior. A recomendação é planejar com antecedência e negociar caso a caso.
Atenção: assistir ao jogo no trabalho sem autorização pode dar advertência
Mesmo dentro da empresa, ligar a televisão ou o celular para acompanhar a partida sem permissão pode ser interpretado como indisciplina.
"Se a empresa determinou que não haverá pausa, o empregado precisa cumprir a orientação. Caso contrário, pode sofrer advertência e até suspensão", afirma o advogado.
A melhor estratégia: diálogo e documentação
Os especialistas são unânimes: diante da falta de uma regra única, o diálogo é o melhor caminho. Trabalhadores devem conversar com seus supervisores com antecedência, e empresas devem comunicar formalmente suas decisões. Documentar os acordos — mesmo que informais — ajuda a evitar surpresas e conflitos para ambas as partes.Fonte: g1

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