Gaúcha de 30 anos supera a própria marca de 2022 e termina em 11º lugar no skeleton nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina; atleta concilia carreira esportiva com trabalho como enfermeira
Milão, Itália – O Brasil voltou a escrever seu nome na história dos Jogos Olímpicos de Inverno. A gaúcha Nicole Silveira alcançou neste sábado (14) o melhor resultado do país em provas de gelo, ao terminar a competição de skeleton na 11ª colocação na edição Milão-Cortina 2026.
A marca supera em duas posições o desempenho da própria atleta nos Jogos de Pequim, em 2022, quando ficou em 13º lugar. Com o feito, Nicole se consolida como uma das principais referências do Brasil em esportes de inverno.
Entendendo o skeleton
O skeleton é uma das modalidades mais radicais e emocionantes dos Jogos de Inverno. Os atletas descem uma pista de gelo em alta velocidade, deitados de bruços em um trenó individual, com a cabeça voltada para frente. A largada é feita em pé, e o equipamento pode atingir velocidades superiores a 140 km/h.
A competição é composta por quatro descidas – duas realizadas em um dia e outras duas no dia seguinte. O grande campeão é definido pela menor soma de tempo entre todas as baterias.
A performance de Nicole
A brasileira encerrou sua participação com o tempo total de 3min51s82, ficando a apenas 42 centésimos de segundo de garantir um lugar no top-10. Confira como foram suas descidas:
| Bateria | Tempo |
|---|---|
| 1ª descida (sexta) | 57s93 |
| 2ª descida (sexta) | 57s85 |
| 3ª descida (sábado) | 58s11 |
| 4ª descida (sábado) | 57s93 |
A regularidade da atleta ao longo das quatro baterias demonstra consistência e evolução técnica desde sua primeira participação olímpica.
Pódio e competição acirrada
A medalha de ouro ficou com a austríaca Janine Flock, que completou as quatro descidas em 3min49s02. A alemã Susanne Kreher, campeã mundial em 2023, conquistou a prata com apenas 30 centésimos de diferença para a campeã. O bronze foi para outra alemã, Jacqueline Pfeifer.
Um detalhe especial: a belga Kim Meylemans, esposa de Nicole Silveira, também competiu e terminou na sexta colocação, fazendo da disputa um momento ainda mais significativo para a brasileira.
Recorde histórico para o Brasil
O desempenho de Nicole nos Jogos de Milão-Cortina entra para a história do esporte brasileiro. Considerando apenas as provas femininas em gelo e neve, seu 11º lugar perde apenas para o nono lugar da carioca Isabel Clark no snowboard cross, nos Jogos de Turim, em 2006.
Vale destacar que neste sábado o Brasil também celebrou o ouro de Lucas Pinheiro Braathen no slalom gigante. Norueguês de nascimento, o atleta optou por representar o Brasil – país de sua mãe – e conquistou o lugar mais alto do pódio.
Quem é Nicole Silveira
Natural de Rio Grande (RS), Nicole se mudou para Calgary, no Canadá, aos sete anos de idade. Foi lá que ela conheceu o skeleton e se apaixonou pelo esporte. Hoje, aos 30 anos, ela divide sua rotina entre os treinos de alto rendimento e o trabalho como enfermeira.
Antes de se dedicar ao skeleton, Nicole chegou a praticar fisiculturismo. Durante a pandemia da covid-19, em 2020, ela atuou na linha de frente em hospitais canadenses, incluindo uma unidade de atendimento infantil, conciliando a carreira esportiva com o cuidado à saúde.

0 Comentários