Virgílio Antônio Filho, afastado do cargo após operação da PF, utilizou direito ao silêncio quando questionado sobre evolução patrimonial de R$ 18 milhões e relação com outros investigados no esquema de descontos em aposentadorias.
Em um depoimento marcado por negativas e silêncios, o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho negou qualquer envolvimento em irregularidades nos descontos de aposentadorias durante sua oitiva na CPMI do INSS nesta quinta-feira (23). Amparado por um habeas corpus, o ex-procurador se calou sobre questões-chave, incluindo uma suposta evolução patrimonial de R$ 18 milhões em cinco anos.
Virgílio Filho, afastado do cargo em abril após operação da Polícia Federal, respondeu a algumas perguntas do relator, deputado Alberto Gaspar (União-AL), mas invocou o direito ao silêncio em diversos momentos, principalmente quando os questionamentos abordaram seu patrimônio e relações pessoais.
Silêncio sobre Patrimônio e Vínculos
O ponto mais crítico do depoimento foi a questão patrimonial. O relator da CPMI afirmou ter identificado uma evolução patrimonial de R$ 18 milhões em cinco anos, valor considerado absolutamente incompatível com a remuneração de um servidor público. Ainda segundo Gaspar, esse montante nem mesmo explicaria a aquisição de um apartamento de R$ 28 milhões em Balneário Camboriú (SC).
Ao ser confrontado, Virgílio Filho optou pelo silêncio. Ele também não respondeu sobre:
Atividades empresariais de sua esposa e irmã.
A suposta doação de um carro Porsche à esposa.
Eventuais contatos com o empresário Maurício Camisotti e com Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", figuras centrais nas investigações.
Negativas e Responsabilidades
Em suas respostas, o ex-procurador negou que o ex-ministro da Previdência, Carlos Luppi, tenha sido seu padrinho político para o cargo. Afirmou que o convite partiu do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que, segundo ele, nunca interferiu em sua atuação.
Virgílio Filho também negou ter participado da reunião que originou a Instrução Normativa de março de 2024, que regulamentou os polêmicos descontos em benefícios. Sobre as denúncias de irregularidades, disse tê-las conhecido apenas por meio da imprensa, transferindo a responsabilidade pela fiscalização para outros setores do instituto.
Contexto de Pressão e Acusações
O depoimento ocorreu em um clima de tensão. O relator Alberto Gaspar foi enfático em suas acusações: "O senhor liderou a maior corrupção dentro do INSS. O senhor é uma vergonha para a carreira e deveria estar preso".
A esposa de Virgílio, a médica Thaisa Hoffmann Jonasson, também foi ouvida pela comissão durante uma sessão que se estendeu por mais de 12 horas. Parlamentares avaliam que ela pode ter atuado como "laranja" em um esquema de lavagem de dinheiro proveniente de propinas.
O caso continua sob investigação, e o uso recorrente do silêncio pelo ex-procurador deve ampliar o escopo dos trabalhos da CPMI para elucidar as complexas transações financeiras e os vínculos por trás do suposto esquema no INSS.

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