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Jovem de 16 anos, filho de metalúrgico e fisioterapeuta, conquista mundo da robótica e inspira no São Paulo Innovation Week

O estudante João Vitor Nunes diz que as competições de robótica lhe deram um norte para a profissão Foto: Taba Benedicto/Estadão

João Vitor Nunes, campeão mundial da FIRST LEGO League, participou da abertura do SPIW e contou como a robótica deu norte à sua carreira: "Precisamos criar nossas oportunidades".


Porto Velho - RO – Enquanto muitos adolescentes de 16 anos ainda estão descobrindo o que querem da vida, João Vitor Nunes já tem no currículo dezenas de prêmios de robótica e um título mundial. Filho de um metalúrgico e uma fisioterapeuta, o jovem estudante foi um dos destaques da cerimônia de abertura do São Paulo Innovation Week (SPIW) , realizada na terça-feira (12) na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap).

O estudante do 2º ano do ensino médio no Sesi e do curso técnico de eletroeletrônica no Senai participou do evento ao lado do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e dividiu o palco com grandes nomes da ciência e da tecnologia.

Da descoberta tardia ao topo do mundo

João Vitor não nasceu programando robôs. O interesse veio depois que ele passou na prova de seleção do Sesi.

"Descobri que o time de robótica havia acabado de ser campeão pela primeira vez e foi reconhecido com uma viagem para Singapura", relembra o jovem.

A partir daí, ele se dedicou à equipe Megazord 7563 – um projeto do Sesi-SP voltado para estudantes do ensino médio que ensina a projetar, construir e programar robôs para competir em arenas ao redor do mundo. O programa inspira jovens a se interessar por áreas de ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática (STEAM, na sigla em inglês).

O ponto alto da trajetória veio no último ano: ele se tornou campeão mundial da FIRST LEGO League (FLL) , uma das maiores competições de robótica educacional do planeta. A disputa reuniu 160 equipes de 55 países em Houston, nos Estados Unidos.

Na ocasião, a equipe Heroes, de Jundiaí (SP), da qual João Vitor faz parte, criou o SmartReef – um equipamento automatizado para otimizar a extração de corais invasores no fundo do mar, unindo tecnologia e sustentabilidade ambiental.

Robótica deu norte para o futuro profissional

Antes de se envolver com robótica, João Vitor confessa que não sabia qual caminho profissional seguir. Hoje, ele tem um plano claro.

"A robótica me deu um norte. Antes, não sabia muito o que queria fazer da vida. Hoje, quero seguir o rumo da engenharia mecânica, voltada para a área do automobilismo, e fazer alguma universidade no exterior por meio dos programas que o próprio Sesi disponibiliza para os alunos", afirmou Nunes durante sua participação no SPIW.

O jovem credita seu sucesso a uma filosofia pessoal simples, mas poderosa: "Precisamos criar nossas oportunidades" .

"Me sinto intruso, mas todo esforço é recompensado"

O convite para participar da abertura do São Paulo Innovation Week veio de Paulo Skaf, presidente da Fiesp. Com a popularização de suas conquistas, João Vitor chamou a atenção de lideranças do setor industrial e tecnológico.

"Meu time e eu nos tornamos populares nesse mundo da robótica. Acho que ele (Skaf) viu uma chance de investir nos jovens", diz Nunes.

Apesar da segurança ao falar sobre robótica, o adolescente admite que se sentiu intimidado ao dividir o espaço com grandes autoridades.

"Confesso que me sinto intruso no meio de gente tão importante. Hoje de manhã fiquei muito nervoso. Mas lembrei que todo esforço é recompensado e a gente tem de aproveitar cada oportunidade", comentou.

Jovem recebe cumprimentos de lideranças

Durante o evento, João Vitor foi cumprimentado por Paulo Skaf e por outras autoridades presentes. A imagem do estudante ao lado do presidente da Fiesp circulou entre os participantes e simbolizou o tema central do SPIW: a aposta nos jovens como agentes da inovação.

O que é o São Paulo Innovation Week

O SPIW é uma realização do Estadão em parceria com a Base Eventos. O festival global de tecnologia e inovação ocupa dois espaços emblemáticos da capital paulista:

  • Arena Pacaembu

  • Fundação Armando Alvares Penteado (Faap)

A programação segue até sexta-feira (15) e reúne empresários, executivos, investidores, pensadores e artistas para debater:

  • Tecnologia e ciência

  • Saúde e educação

  • Agronegócio e geopolítica

  • Esportes e sustentabilidade

  • Arte, música e filosofia

Um sinal para o futuro

A trajetória de João Vitor Nunes – saindo de uma família de trabalhadores para o pódio mundial da robótica – é um dos exemplos mais concretos do que o SPIW propõe: a inovação não é privilégio de poucos. Ela pode nascer dentro da escola pública, de um time de garotos curiosos e de uma filosofia que se resume a "criar as próprias oportunidades".

O jovem campeão mundial, que ainda está no ensino médio, já provou que idade e origem não definem limites. Resta saber qual será o próximo passo do garoto que aprendeu a programar robôs – e, no caminho, reprogramou o próprio futuro.


Fonte: Estadão
Texto adaptado para nova matéria jornalística
Fotos: Taba Benedicto/Estadão

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