Marcelo Gleiser e Adam Frank destacam na Faap que não saber as respostas é o ponto de partida para a inovação; festival segue até sexta (15) com debates sobre IA, mudanças climáticas e vida extraterrestre.
Porto Velho - RO – O que move a humanidade para frente? Não são as respostas prontas, mas exatamente o oposto: a curiosidade diante do que ainda não se sabe. Essa foi a mensagem central da palestra de abertura do São Paulo Innovation Week (SPIW) , realizada na noite de terça-feira (12) na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), em São Paulo.
O festival global de tecnologia e inovação, realizado pelo Estadão e pela Base Eventos, vai até sexta (15) e reuniu para a primeira conversa dois grandes nomes da ciência: o brasileiro Marcelo Gleiser (físico e astrônomo, professor do Dartmouth College, nos EUA) e o astrofísico norte-americano Adam Frank (Universidade de Rochester, Nova York).
“A curiosidade alimenta a evolução da criatividade humana e a inovação é sobre isso”, resumiu Gleiser, que também assina a curadoria do evento.
Inspirar jovens é caminho para mudar o país
Gleiser foi direto ao ponto ao falar sobre o futuro do Brasil. Para ele, não basta apenas reconhecer a importância da curiosidade – é preciso ensinar as próximas gerações a usá-la como ferramenta.
“Se queremos mudar a direção de um país ou de uma economia, você tem que inspirar a curiosidade em seus jovens. Não só inspirar, mas dar a eles técnicas para desenvolver essa curiosidade em tecnologias novas. E isso é algo que o Brasil está muito bem posicionado para fazer e pode fazer muito melhor do que já fez até agora”, afirmou o cientista.
O valor científico do “não saber”
Um dos momentos mais provocadores da noite aconteceu quando Adam Frank desconstruiu a imagem tradicional da ciência como um campo de certezas absolutas.
“A visão antiga da ciência era: ‘você precisa saber sobre todas as coisas, e se não sabe, será humilhado’. Isso é completamente errado. A ciência é completamente sobre o não saber e o tolerar o não saber”, explicou Frank.
Segundo ele, a beleza da ciência está justamente em reconhecer uma lacuna e então buscar um caminho para compreendê-la melhor. “Ninguém tem todas as respostas” – e é desse vazio que nascem as inovações tecnológicas.
Desafios globais são oportunidades, não apocalipse
Frank também abordou temas que frequentemente geram ansiedade coletiva, como as mudanças climáticas e a inteligência artificial (IA). Para ele, essas crises devem ser encaradas como motores de transformação, não como sentenças de fim do mundo.
“As próximas décadas serão muito desafiadoras. Mas queremos lutar contra a ideia de que será um apocalipse. As pessoas olham para o futuro e imaginam algo como o filme ‘Mad Max’. Mas o que realmente é interessante é que esses desafios nos forçam a mudar a nossa visão sobre a natureza, o universo e até de nós mesmos dentro do universo”, disse.
Gleiser complementou: a ciência é hoje uma das forças mais poderosas que moldam a civilização humana. E, mesmo com a chegada da inteligência artificial criando um momento de transição global, as perguntas fundamentais da humanidade continuam as mesmas de milênios atrás: “Quem somos? Como existimos? Como o mundo existe?”
O que vem por aí no SPIW
A conversa descontraída de terça foi apenas um aperitivo. Nesta quarta-feira (13), Gleiser e Frank voltam a dividir o palco em um dos painéis mais aguardados do festival:
Painel: “Estamos sozinhos? Vida extraterrestre e o novo lugar da humanidade no cosmos”
Horário: 16h
Local: Faap
“Se você quer falar sobre vida extraterrestre e aliens, esse é o cara”, brincou Gleiser ao apresentar o colega Adam Frank, especialista no tema.
Sobre o São Paulo Innovation Week
O SPIW ocupa dois endereços simbólicos da capital paulista:
Fundação Armando Alvares Penteado (Faap)
Arena Pacaembu
A previsão é receber 90 mil visitantes ao longo dos quatro dias de evento. A programação inclui:
Palestras de nomes internacionais e brasileiros
Debates sobre tecnologia, ciência, saúde, educação, agronegócio, geopolítica, esportes e sustentabilidade
Espaços de troca de conhecimento
Performances e atrações musicais
O festival reúne empresários, executivos, investidores, pensadores e artistas para promover reflexões que conectam inovação à filosofia, arte e música.
Fonte: Estadão
Texto adaptado para nova matéria jornalística
Imagem destaque: Tiago Queiroz/Estadão (Adam Frank e Marcelo Gleiser na abertura do SPIW)

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