Comissão da ALERO investiga preços baixos, custos altos e falta de contratos; deputada Cláudia de Jesus afirma que diagnóstico vai buscar equilíbrio entre campo e indústria.
Ji-Paraná (RO) – A crise na produção de leite em Rondônia chegou ao centro das discussões políticas nesta segunda-feira (11). A Assembleia Legislativa do estado (ALERO) promoveu, por meio da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Cadeia Produtiva do Leite, uma audiência itinerante na Câmara Municipal de Ji-Paraná. O objetivo foi escutar na ponta – os próprios agricultores – os motivos que estão derrubando a rentabilidade de quem tira o sustento das vacas leiteiras.
A reunião, comandada pela deputada estadual Cláudia de Jesus (PT), faz parte de uma série de encontros já realizados em Machadinho D’Oeste, Alvorada do Oeste e Jaru. Agora, a comissão volta as atenções para a região central do estado, onde os relatos de dificuldades se repetem: leite pago abaixo do custo de produção, indústrias com pagamento instável e ausência de contratos formais que garantam segurança ao produtor.
Produtores listam entraves que ameaçam atividade
Durante as oitivas, agricultores familiares e lideranças do setor agropecuário desenharam um cenário preocupante. Entre os principais gargalos apontados estão:
Preço defasado: o valor recebido por litro de leite muitas vezes não cobre nem os gastos com alimentação do rebanho, mão de obra e insumos.
Incerteza nos pagamentos: falta previsibilidade sobre quando e quanto será pago pelas indústrias compradoras.
Relação frágil: a maioria das negociações acontece sem contrato formal, o que deixa o produtor vulnerável a mudanças repentinas nas regras.
Concentração de mercado: há indícios de que poucos compradores dominam a região, dificultando a comercialização e o poder de barganha dos pequenos produtores.
“Ouvir quem está na ponta da produção é fundamental para encontrarmos caminhos jurídicos e políticos que garantam equilíbrio entre produtores e indústrias”, afirmou a presidente da CPI, deputada Cláudia de Jesus.
CPI vai além das oitivas e pede documentos ao governo
Os depoimentos coletados em Ji-Paraná não servirão apenas para registrar reclamações. Segundo a comissão, todo o conteúdo será transformado em um diagnóstico detalhado sobre o enfraquecimento da atividade leiteira no estado. Com esse relatório em mãos, a ALERO espera propor soluções concretas – que podem incluir mudanças na legislação e novas regras para incentivos fiscais.
Nesse sentido, a CPI já aprovou requerimentos enviados à Casa Civil e à Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri). O objetivo é analisar os benefícios fiscais concedidos às indústrias de laticínios e verificar se elas estão cumprindo as contrapartidas sociais e econômicas previstas – como a compra justa da produção local e estímulo à permanência do agricultor no campo.
O que vem por aí?
Os trabalhos da CPI da Cadeia Produtiva do Leite não param por aí. A próxima parada da comissão será no dia 18 de maio, no município de Nova Mamoré. A expectativa é que, ao final das oitivas regionais, o colegiado apresente um parecer que aponte não apenas os culpados pela crise, mas também um plano de ação para reerguer um dos setores mais importantes da agropecuária rondoniense.

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