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Novas regras da Corregedoria de Rondônia exigem cartórios mais limpos, acessíveis e com preservação de documentos históricos

Dois provimentos publicados nesta sexta (10) tratam de saneamento, segurança e conservação do acervo; clima amazônico exige cuidados especiais


Rondônia – A Corregedoria Geral da Justiça de Rondônia (CGJ-RO) publicou nesta sexta-feira (10) dois novos provimentos que estabelecem regras mais rígidas para os cartórios do estado. As medidas abrangem desde a qualidade sanitária e estrutural das serventias até a preservação da memória documental de Rondônia.

Os atos normativos, numerados como Provimento nº 9/2026 e Provimento nº 10/2026, foram assinados pelo corregedor-geral da Justiça, desembargador Glodner Luiz Pauletto. Ambos já estão em vigor e podem ser consultados no Diário Oficial da Justiça.

Regras para cartórios mais adequados ao público

O primeiro provimento (nº 9/2026) altera as Diretrizes Gerais Extrajudiciais do estado para criar regras detalhadas sobre as condições que os cartórios precisam oferecer. Os principais pontos exigem que as serventias tenham:
  • Higiene e conservação adequadas dos espaços
  • Acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida
  • Segurança estrutural e patrimonial
  • Mobiliário e equipamentos em bom estado e de qualidade
  • Iluminação e ventilação adequadas
  • Água potável disponível
  • Banheiros funcionais e em quantidade suficiente
  • Ambientes de trabalho saudáveis para servidores e colaboradores

A fiscalização dessas exigências será feita pela própria Corregedoria e pelos Juízos Corregedores Permanentes, durante inspeções regulares nos cartórios.

Preservação da memória documental

O segundo provimento (nº 10/2026) cria o Programa de Preservação do Acervo Extrajudicial de Rondônia (PPAE-RO) , também chamado de "Memória Extrajudicial de Rondônia". O objetivo é evitar a deterioração de livros e documentos históricos, garantindo que a população continue tendo acesso a registros antigos – como escrituras, certidões de nascimento, casamento e óbito de décadas atrás.

As medidas técnicas incluem:

  • Procedimentos de higienização e conservação de livros e documentos
  • Controle de temperatura e umidade nos locais de armazenamento
  • Acondicionamento seguro dos acervos (em estantes, caixas ou mapotecas adequadas)
  • Prevenção contra pragas como traças, cupins e baratas
  • Proteção contra incidência direta de luz solar, que acelera o amarelamento e a fragilização do papel

Um ponto importante do novo programa é a necessidade de considerar as especificidades do clima amazônico. O calor e a umidade típicos de Rondônia aceleram a degradação de papéis, exigindo cuidados extras, como desumidificadores e ventilação controlada.

Alinhamento com normas nacionais

As novas regras seguem as diretrizes de temporalidade documental estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que define quais documentos devem ser preservados permanentemente e quais podem ser eliminados após determinado prazo.

Expectativa da Corregedoria

Com as novas regulamentações, a Corregedoria Geral da Justiça de Rondônia espera consolidar um padrão mais elevado de qualidade, transparência e segurança nos serviços prestados pelos cartórios à população.

Além disso, o programa de preservação documental visa zelar por um patrimônio que não tem apenas valor jurídico, mas também histórico e cultural: os registros cartorários contam a história das famílias, das propriedades e da própria sociedade rondoniense.

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