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MPRO aciona Justiça para ampliar leitos clínicos e desafogar UTIs em Cacoal

Ação Civil Pública contra o Estado de Rondônia aponta que pacientes estáveis ocupam vagas de terapia intensiva por falta de enfermarias; situação restringe atendimento a casos graves.

O Ministério Público de Rondônia (MPRO) ajuizou uma Ação Civil Pública contra o Estado de Rondônia para obrigar o poder público a ampliar a oferta de leitos clínicos nos hospitais da rede estadual em Cacoal. A medida, protocolada na última quarta-feira (22/4), tem como objetivo principal liberar as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para pacientes que realmente necessitam de cuidados intensivos.

A ação partiu da 3ª Promotoria de Justiça de Cacoal, sob a responsabilidade do promotor de Justiça Marcos Ranulfo Ferreira, após uma investigação contínua sobre as condições da política pública de saúde na região.

O problema identificado

O MPRO constatou um problema grave e recorrente: pacientes que já receberam alta médica da UTI – ou seja, estão clinicamente estáveis – permanecem ocupando esses leitos porque não há vagas disponíveis em enfermarias comuns (leitos clínicos). Em alguns casos, a espera por uma vaga em enfermaria ultrapassa 24 horas.

Essa situação gera um efeito dominó prejudicial ao sistema de saúde:

UTIs ficam bloqueadas: leitos que deveriam atender casos graves e emergenciais permanecem ocupados por pacientes que não precisam mais de cuidados intensivos.


Novos pacientes graves ficam sem vaga: pessoas em estado crítico podem ter o atendimento atrasado ou ser encaminhadas para unidades distantes.


Aumento de custos: manter um paciente estável em UTI é muito mais caro do que em um leito clínico, pois a terapia intensiva exige mais profissionais, equipamentos e medicamentos.

Hospitais afetados

A ação civil pública menciona especificamente duas unidades hospitalares sob gestão estadual em Cacoal:

Hospital Regional de Cacoal (HRC)


Hospital de Urgência e Emergência Regional (Heuro)

Ambos enfrentam escassez crônica de leitos clínicos, o que impede a transferência rápida de pacientes estáveis e compromete a função correta das UTIs.

O que o MPRO está pedindo à Justiça

Na ação, o Ministério Público solicita que o Estado de Rondônia adote medidas imediatas para ampliar a oferta de leitos clínicos nas duas unidades hospitalares. O objetivo é claro: permitir a transferência ágil de pacientes que já não necessitam de terapia intensiva, restabelecendo a função original das UTIs para atender somente casos graves.

Além disso, o MPRO quer que o Estado forneça, de forma periódica, dados atualizados sobre:

Taxa de ocupação de leitos clínicos e de UTI;


Tempo médio de espera por transferência da UTI para a enfermaria.

Essas informações permitirão ao próprio Ministério Público acompanhar se as medidas determinadas pela Justiça estão sendo cumpridas e se há real melhora no atendimento à população.

Consequências em caso de descumprimento

A Ação Civil Pública prevê que, caso o Estado não cumpra as obrigações que venham a ser impostas pela Justiça, poderá ser aplicada multa diária (astreintes) como forma de coerção para garantir a efetividade da decisão judicial.

Por que essa ação é importante

A medida do MPRO vai além de um problema local. Ela toca em um ponto sensível da gestão da saúde pública em todo o Brasil: a má distribuição de leitos hospitalares. Quando pacientes estáveis ocupam UTIs por falta de vagas em enfermarias, toda a rede de atendimento de urgência e emergência fica comprometida. Pessoas que sofrem acidentes graves, derrames, infartos ou outras condições críticas podem ter o tratamento atrasado – e esse atraso pode custar vidas.

A expectativa é que a Justiça acolha o pedido do MPRO e determine ao Estado de Rondônia um prazo para a ampliação dos leitos clínicos, resolvendo o gargalo que atualmente prejudica o atendimento na região de Cacoal.

Fonte: Gerência de Comunicação Integrada (GCI) do Ministério Público de Rondônia

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