Em discurso na Malásia, Lula apresentou o "Fundo Florestas Tropicais para Sempre" como resposta à falta de financiamento climático desde o Acordo de Paris e alertou para o risco de ultrapassar o ponto de não retorno do planeta.
PUTRAJAYA (MALÁSIA) – Em um discurso contundente na Universidade Nacional da Malásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou compromisso global no combate às mudanças climáticas e anunciou os detalhes de uma proposta brasileira para financiar a conservação das florestas tropicais do mundo.
A iniciativa, batizada de Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), será lançada oficialmente durante a COP30, que acontece em Belém no próximo mês. O fundo tem como objetivo remunerar países em desenvolvimento que garantam a conservação de seus recursos naturais.
Resposta a uma Década de Falta de Recursos
O presidente apresentou o fundo como uma solução prática para um problema crítico: a falta de recursos para uma transição energética justa, uma década após a assinatura do Acordo de Paris.
"Na busca por lucros ilimitados, muitos se esquecem de cuidar do planeta Terra", afirmou Lula, durante a cerimônia em que recebeu o título de doutor Honoris Causa. "Uma década após o Acordo de Paris, faltam recursos para uma transição justa e planejada. Sobretudo, falta tempo para corrigir rumos."
O Brasil já se comprometeu a investir US$ 1 bilhão no fundo, que poderá beneficiar mais de 70 países com florestas tropicais.
COP30: A "COP da Verdade" e o Alerta Científico
Lula reforçou que a conferência climática de Belém será a "COP da verdade", um momento para "superar a ganância extrativista e agir com base na ciência". Ele criticou a falta de ambição global, destacando que menos de 70 países apresentaram novas metas de redução de emissões (NDCs). "Dentre os maiores poluidores, apenas 14 países cumpriram com seu dever de casa", disse.
O presidente fez um alerta grave, baseado em dados científicos: mesmo que as atuais metas sejam cumpridas, o planeta deve ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento. Ele citou a destruição de recifes de corais e florestas tropicais como exemplos de "pontos de não retorno" que a humanidade deve evitar a todo custo.
A agenda do presidente na Malásia inclui ainda encontros com empresários e a possibilidade de uma reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump, para discutir tarifas comerciais

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