Uma sofisticada organização criminosa, especializada em exportar grandes quantidades de cocaína para Europa e Oceania a partir do Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, foi desmantelada pela Justiça Federal. O Ministério Público Federal (MPF) obteve a condenação de 12 pessoas, com penas que chegam a 24 anos de prisão.
O grupo operava com um método considerado complexo e ardiloso: utilizava mergulhadores profissionais para esconder a droga em um compartimento específico dos navios cargueiros, conhecido como "caixa de mar". Esta localização, abaixo da linha d'água, dificultava extremamente a fiscalização rotineira.
Como Funcionava o Esquema Criminoso
A investigação, batizada de Operação Escafandria, revelou uma estrutura bem organizada. A organização recrutava mergulhadores que, com equipamentos, acessavam a caixa de mar de navios atracados. Esse compartimento é vital para a embarcação, pois é responsável por resfriar os motores, sugando água do mar.
Esconder a cocaína dentro da caixa de mar era a forma que o grupo encontrou de burlar a segurança portuária e garantir que a droga saísse do Brasil de forma oculta, seguindo viagem internacional.
As Condenações e a Estrutura da Quadrilha
A sentença da 1ª Vara Federal de Rio Grande detalhou o papel de cada um na organização:
Línder: Recebeu a pena mais severa, 24 anos e 15 dias de reclusão em regime fechado.
Mergulhadores: Três profissionais foram condenados, com penas entre 8 e 11 anos de prisão. A variação se deu pela quantidade de vezes que cada um atuou.
Dono de Estaleiro: Foi condenado a 8 anos e 5 meses por ceder sua propriedade como base para as operações ilegais.
Financiadores e Logística: Outros integrantes, responsáveis pelo dinheiro e coordenação, receberam penas entre 9 e 11 anos.
No total, as penas variaram de 3 a 24 anos de prisão. A pena de 3 anos foi a única convertida para prestação de serviços à comunidade.
Sucesso da Operação e Alcance Internacional
A Operação Escafandria, conduzida pela Polícia Federal, MPF e Receita Federal, começou em 2022. O monitoramento do grupo permitiu apreensões internacionais que comprovaram a extensão do crime:
Foram recuperados 426,6 quilos de cocaína em navios que já estavam ancorados na Turquia, Espanha e Austrália.
Uma apreensão adicional foi feita no Paraná, com um casal ligado ao grupo.
A investigação evidenciou que a organização não apenas operava localmente, mas tinha conexões que permitiam a distribuição da droga em diversos continentes.

0 Comentários