Porto Velho RO - O Brasil registrou um avanço significativo nas taxas de amamentação nas últimas décadas, mas ainda não alcançou a meta global estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani) mostram que 45,8% dos bebês brasileiros são alimentados exclusivamente com leite materno nos primeiros seis meses de vida. A meta da OMS é chegar a 50% até 2025 e 70% até 2030.
Há 40 anos, esse índice era de apenas 4,7%, saltando para 37,1% em 2006. O progresso é celebrado durante o Agosto Dourado, mês de conscientização sobre a importância do aleitamento materno, mas especialistas alertam que é preciso avançar mais.
Por que o leite materno é "ouro"?
A cor dourada da campanha não é por acaso. A OMS considera o leite materno um "alimento de ouro" por ser o mais completo para os primeiros meses de vida. Ele fornece todos os nutrientes necessários, fortalece o sistema imunológico e cria um vínculo único entre mãe e filho.
A médica Rossiclei Pinheiro, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), enumera os benefícios:
Para o bebê: Reduz mortalidade, risco de infecções, doenças crônicas e promove o desenvolvimento cognitivo.
Para a mãe: Ajuda na recuperação pós-parto, reduz o risco de câncer de mama e ovário e fortalece o vínculo.
Além disso, a amamentação é um ato de sustentabilidade: não exige industrialização, transporte ou refrigeração, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa.
Desafios para atingir a meta
Apesar dos avanços, vários obstáculos ainda impedem que mais mães amamentem exclusivamente até o sexto mês. Os principais são:
Retorno ao trabalho: A licença-maternidade de 120 dias é insuficiente para cobrir os seis meses recomendados.
Falta de apoio: Desinformação, dificuldades na pega e falta de suporte familiar e profissional ainda são barreiras.
Marketing de fórmulas: A publicidade de substitutos do leite materno pode influenciar negativamente.
Práticas hospitalares: Não colocar o bebê em contato pele a pele logo após o parto ("hora de ouro") e a oferta precoce de fórmulas ainda são comuns.
O que o Congresso está fazendo?
Vários projetos de lei em tramitação no Senado buscam ampliar o apoio à amamentação:
Estatuto da Gestante (PL 2.285/2022): Do senador Rogério Carvalho (PT-SE), propõe apoio ativo às lactantes e incentivo à amamentação exclusiva.
Direito à amamentação (PL 2.846/2021): Da senadora Zenaide Maia (PSD-RN), garante o direito de amamentar em unidades de saúde. A proposta está na Câmara.
Selo Empresa Amiga da Amamentação (Lei 14.683/2023): Já sancionada, cria um selo para empresas que incentivam a prática, com salas de apoio e flexibilização de horários.
A importância da doação
Para bebês prematuros ou de baixo peso internados em UTIs neonatais, a doação de leite materno é vital. Em 2023, 198,6 mil mulheres doaram leite no Brasil, beneficiando 225,7 mil recém-nascidos. Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou um investimento de R$ 40,6 milhões para fortalecer os 226 bancos de leite humano do país.
Dicas para uma amamentação bem-sucedida
Início precoce: A amamentação deve começar na primeira hora de vida.
Livre demanda: Ofereça o peito sempre que o bebê quiser, de dia ou de noite.
Evite interferências: Não use mamadeiras, bicos ou chupetas nos primeiros meses.
Busque apoio: Em caso de dificuldades, procure um profissional de saúde ou bancos de leite.
A amamentação é um direito que deve ser protegido e incentivado por toda a sociedade. Apesar do caminho percorrido, o Brasil ainda tem um longo trabalho pela frente para garantir que every child has the best start in life.
Fonte: Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani/2019) e informações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

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