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Fachin rejeita pedido de senadores para afastar Nunes Marques de ação sobre CPI do Banco Master

Fachin rejeita pedido para afastar Nunes Marques de ação da CPI do Master

 Presidente do STF alegou que solicitação foi apresentada fora do prazo regimental de cinco dias; ministro permanece como relator do caso


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, rejeitou um pedido apresentado por quatro senadores para afastar o ministro Kassio Nunes Marques da relatoria da ação que discute a instalação da CPI do Banco Master. A decisão foi assinada na última quarta-feira (3).

A solicitação foi feita pelos senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Alessandro Vieira (MDB-SE), Marcos Pontes (PL-SP) e Plínio Valério (PSDB-AM). Eles pediam que Nunes Marques fosse declarado suspeito para atuar no mandado de segurança que trata da criação da Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar operações relacionadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Por que o pedido foi rejeitado?

Em sua decisão, Fachin afirmou que o pedido foi protocolado fora do prazo previsto no regimento interno da Corte e, por isso, não poderia ser analisado em seu mérito.

Segundo o presidente do STF, o mandado de segurança foi distribuído a Nunes Marques em 26 de março deste ano. Já a arguição de suspeição foi apresentada apenas em 12 de maio. O regimento da Corte estabelece um prazo de cinco dias após a distribuição do processo para que seja questionada a imparcialidade do relator.

"Diante do exposto, nego seguimento a esta arguição de suspeição, em razão de sua intempestividade", escreveu Fachin.

O que diziam os senadores

No pedido encaminhado ao Supremo, os parlamentares sustentaram que fatos novos relacionados à Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, teriam reforçado a necessidade de afastamento do ministro.

Eles citaram medidas cautelares determinadas pelo STF contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e alegaram que o parlamentar teria interesse direto no resultado da ação que busca garantir a instalação da CPI.

Os autores também argumentaram existir uma relação pública e histórica entre Nunes Marques e Ciro Nogueira, o que, na avaliação deles, comprometeria a aparência de imparcialidade necessária ao julgamento do caso.

"A relação pessoal e política entre o Ministro Kassio Nunes Marques e o Senador Ciro Nogueira não é episódica nem recente. Trata-se de vínculo estruturado ao longo do tempo, documentado em sucessivos momentos institucionalmente relevantes da carreira do Magistrado", diz o texto do pedido.

O que Fachin decidiu

Ao rejeitar o pedido, Fachin não analisou o mérito das alegações apresentadas pelos senadores. A decisão se limitou à questão processual e concluiu que a solicitação foi apresentada fora do prazo regimental.

Com isso, Kassio Nunes Marques permanece responsável pela condução do mandado de segurança que discute a instalação da CPI do Banco Master no Senado.

O que é a CPI do Banco Master

A CPI do Banco Master foi proposta para investigar operações financeiras relacionadas à instituição comandada por Daniel Vorcaro. O banco esteve no centro de polêmicas envolvendo operações de crédito, relacionamento com agentes públicos e possíveis irregularidades.

A comissão ainda não foi instalada porque há recursos no Supremo questionando sua criação. O mandado de segurança sob relatoria de Nunes Marques é justamente o processo que pode definir se a CPI será ou não instalada.

O que acontece agora

Com a rejeição do pedido de afastamento, Nunes Marques continua à frente do caso. Cabe a ele decidir os rumos do mandado de segurança que pode liberar ou travar a instalação da CPI.

Os senadores que fizeram o pedido ainda podem recorrer da decisão de Fachin, mas teriam que encontrar outra fundamentação jurídica, já que o presidente do STF não analisou o mérito das acusações de suspeição.



Fonte: Fonseca, Fernanda. "Fachin rejeita pedido para afastar Nunes Marques de ação da CPI do Master". Estadão.

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