Empresário estaria nos Estados Unidos e jato da J&F faria deslocamento para Washington às vésperas da reunião presidencial
Da Redação, com informações da Reuters e Estadão
O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, agendado para esta quinta-feira (7), em Washington, contou com a articulação direta do empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS. A informação foi revelada pela agência internacional Reuters, com base em fontes próximas às negociações.
Segundo a agência, Joesley e seu irmão, Wesley Batista, já estão em solo norte-americano. Um jato pertencente à J&F — holding que controla a JBS — deve decolar do estado do Colorado com destino a Washington ainda nesta quarta-feira (6). Procurada, a J&F afirmou que não comentaria o assunto.
Reunião adiada e aproximação empresarial
A visita de Lula à capital dos EUA vinha sendo postergada desde março. O encontro entre os dois líderes vinha sendo articulado desde o fim de 2024 e foi combinado inicialmente em janeiro deste ano, durante telefonema entre os presidentes. O adiamento ocorreu em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o conflito com o Irã.
A Reuters não detalhou como se deu exatamente a atuação de Joesley Batista nos bastidores da reaproximação. No entanto, conforme já havia sido noticiado pelo Estadão, o empresário integra um grupo de líderes do setor privado brasileiro que atuaram para facilitar o diálogo entre Lula e Trump ao longo do último ano.
Empresários brasileiros na ponte diplomática
Além de Joesley, outros nomes do empresariado nacional passaram a circular com frequência nos gabinetes próximos ao republicano. O objetivo, à época, era demonstrar que o chamado "tarifaço" imposto a produtos do Brasil trazia prejuízos financeiros para ambas as nações.
Entre os participantes dessas reuniões estão:
Carlos Sanchez (EMS),
João Camargo (Grupo Esfera Brasil),
Lírio Parisotto (investidor).
Na última vez em que Lula e Trump estiveram frente a frente — em outubro do ano passado, durante evento na Malásia —, o presidente petista foi flagrado pela reportagem do Estadão cumprimentando pessoalmente Joesley e Wesley Batista, com quem conversou brevemente.
Histórico de articulações internacionais
Não é a primeira vez que Joesley Batista atua como intermediário em negociações de alto escalão. Em dezembro de 2025, o empresário se reuniu com o então ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, para tentar convencê-lo a renunciar ao cargo e permitir uma transição pacífica de poder. Maduro foi capturado por forças dos EUA em janeiro deste ano, em Caracas, e levado para Nova York.
Comitiva presidencial e expectativa
Lula embarca para os Estados Unidos acompanhado de cinco ministros e do diretor da Polícia Federal. O encontro com Trump acontece em meio a um cenário geopolítico complexo e é visto como um movimento estratégico do governo brasileiro para reforçar laços comerciais e políticos com a nova administração norte-americana.
Fonte: Reuters e Estadão

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