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Encontro Lula-Trump na Casa Branca: 5 pontos-chave que estarão na mesa

 

Trump e Lula em seu primeiro encontro em fevereiro deste ano Foto: Ricardo Stuckert /Ricardo Stuckert / PR

Reunião de trabalho entre presidentes ocorre nesta quinta-feira (7) em Washington; tarifas, terras raras e eleições de 2026 estão entre os temas

Da Redação, com informações do Estadão (Enviado Especial a Washington)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca nesta quinta-feira (7) na Casa Branca para uma reunião de trabalho com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro, que vinha sendo negociado há meses, ocorrerá por volta das 11h locais (12h de Brasília), a convite do republicano.

A aproximação entre os dois líderes só foi possível após gestões diplomáticas sigilosas e intermediação de empresários brasileiros, conforme revelou o Estadão. Antes disso, atritos entre os governos resultaram na imposição de tarifas americanas a produtos brasileiros. Embora tenham estabelecido um canal direto de diálogo e conversado por telefone, Lula e Trump ainda não anunciaram nenhum acordo concreto.

Especialistas avaliam que a reunião desta quinta pode destravar esse processo, a partir da manifestação de vontade de ambos os lados por um entendimento. No entanto, não há garantias de que acordos serão selados ou apresentados publicamente.

Abaixo, os principais temas que devem nortear o encontro entre os dois presidentes.


1. Blindagem eleitoral para 2026

Um dos objetivos centrais de Lula ao se encontrar com Trump é construir um "armistício" em torno da eleição presidencial brasileira de outubro. O petista tenta manter a boa relação pessoal conquistada durante um encontro na Malásia no ano passado para evitar que Trump declare apoio a seu principal adversário nas pesquisas: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Trump costuma se vangloriar de endossar candidatos alinhados ao seu campo. Embora nunca tenha declarado apoio formal a Flávio Bolsonaro, o americano já fez movimentos semelhantes em eleições na Argentina, Honduras e Hungria. Em julho do ano passado, Trump enviou uma carta a Lula na qual manifestava simpatia pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, após condenação no Supremo Tribunal Federal (STF).

A estratégia do governo brasileiro é usar a boa relação pessoal e potenciais acordos comerciais como blindagem contra qualquer ingerência externa no pleito nacional.


2. Terras Raras e minerais críticos

O acesso a minerais estratégicos tornou-se prioridade diplomática dos Estados Unidos, e o Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo. O principal objetivo americano é impedir que a China continue avançando no setor brasileiro — Pequim domina atualmente a mineração e o processamento desses minerais, além de já ter restringido exportações que afetaram os EUA.

O governo Trump lançou uma iniciativa em fevereiro para formalizar acordos na área, mas o Brasil recusou-se a participar, interpretando a proposta como uma tentativa de formar preços, garantir acesso exclusivo a reservas e isolar a China politicamente.

Após negociações, Washington sinalizou disposição para investir na extração e beneficiamento no Brasil — condição exigida pelo governo Lula. Até o momento, porém, o País só assinou memorandos de entendimento genéricos, enquanto discute uma política nacional para o setor.


3. O fantasma do tarifaço

Embora a Suprema Corte americana tenha derrubado a tarifa de 50% contra o Brasil, o governo brasileiro avalia que a medida pode ser restituída, ao menos parcialmente, com base em investigações da chamada Seção 301 — legislação que permite retaliar práticas comerciais consideradas injustas.

Os EUA têm utilizado esse instrumento para investigar o Brasil em temas como o sistema de pagamentos Pix e a chamada "Crise da 25 de Março". A decisão final caberá a Trump. Lula busca evitar a sobretaxa a partir de julho deste ano.

Atualmente, há uma tarifa global temporária de 10% aplicada a parte das exportações brasileiras, vigorando desde fevereiro.


4. Segurança, terrorismo e facções brasileiras

O governo Trump defende a classificação de organizações criminosas latino-americanas como terroristas. Já designou 14 cartéis da região sob essa rubrica, e o trabalho burocrático já está em andamento para incluir as duas maiores facções do Brasil: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

O governo brasileiro entende que essa classificação não tem respaldo legal e teme que, no limite, ela possa embasar uma intervenção militar em território nacional. A decisão do Departamento de Estado, no entanto, independe da concordância do Brasil.

Paralelamente, os governos negociam há meses uma cooperação policial para sufocar o tráfico de armas, drogas e fluxos financeiros, com troca de informações de inteligência e congelamento de ativos. Os americanos também querem cooperação para troca de dados biométricos no controle migratório — proposta inicialmente feita pelo Brasil no fim do ano passado.

Na véspera do encontro, Trump assinou uma nova estratégia nacional antiterrorismo que estabelece o combate a cartéis de drogas no Hemisfério Ocidental como prioridade máxima.


5. Irã, Cuba e Venezuela: os atritos ideológicos

Os temas geopolíticos seguem como ponto de atrito entre os dois líderes. Lula tem sido crítico recorrente da guerra deflagrada por EUA e Israel contra o Irã, do bloqueio econômico a Cuba e da operação que levou à captura do ditador Nicolás Maduro, da Venezuela.

O petista costuma dizer que Trump age como "imperador do mundo" e tenta se impor pela força, enquanto defende a negociação e o protagonismo das Nações Unidas — organização desprezada pelo republicano.

Embora esses assuntos possam surgir na conversa, não devem ser o foco principal do encontro, segundo fontes ouvidas pelo Estadão.


Fonte: Estadão (Enviado Especial a Washington)

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