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CFM libera dois novos tratamentos para câncer de próstata; entenda as técnicas

 

CFM libera dois novos tratamentos para câncer de próstata; entenda

Ultrassom focalizado e crioablação são menos invasivos e prometem reduzir efeitos colaterais como incontinência urinária e disfunção erétil

O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou na quarta-feira (27) uma resolução autorizando o uso de dois novos tratamentos para câncer de próstata no Brasil. As terapias aprovadas são o ultrassom focado de alta intensidade e a crioablação — procedimento que destrói células anormais ou tumorais por meio de congelamento.

As técnicas, chamadas de terapias focais, apresentam vantagens em relação aos métodos convencionais por serem menos invasivas e não afetarem tanto os tecidos adjacentes ao tumor. O objetivo principal é reduzir os efeitos colaterais dos tratamentos tradicionais, como a remoção total ou parcial da glândula, que podem causar incontinência urinária e disfunção erétil.

O que diz o relator da norma

O urologista José Elêrton Secioso de Aboim, relator da resolução do CFM, explica que as novas técnicas não são consideradas o tratamento padrão-ouro para o câncer de próstata, mas podem ser resolutivas em muitos casos.

"É uma técnica menos invasiva, capaz de controlar ou até curar o câncer, com menos impactos negativos na qualidade de vida, especialmente em relação às funções sexual e urinária", afirma ele.

Para quem os novos tratamentos são indicados

O CFM alerta que nem todos os pacientes com câncer de próstata podem se beneficiar das terapias focais. De acordo com a resolução, as técnicas são indicadas para:

  • Pacientes com câncer de próstata de risco intermediário favorável

  • Tumores unifocais e unilaterais (restritos a apenas um lado da glândula, com menor chance de disseminação)

  • Pacientes já tratados com radioterapia externa (em casos específicos)

  • Pacientes com câncer de próstata de baixo risco, em situações determinadas pelo especialista

Quando os tratamentos não devem ser usados

A resolução do CFM proíbe explicitamente o uso das terapias focais em casos de:

  • Tumores de risco intermediário desfavorável

  • Tumores de alto risco

  • Tumores de risco muito alto

A indicação deve ser feita exclusivamente por um médico especialista, que avaliará o perfil de cada paciente.

Acompanhamento pós-tratamento

O texto do CFM estabelece um protocolo rigoroso de acompanhamento para os pacientes submetidos à terapia focal:

PeríodoProcedimento
Primeiro ano após o tratamentoDosagem de PSA a cada 3 meses
Segundo e terceiro anosDosagem de PSA a cada 6 meses
Após o terceiro anoDosagem de PSA anual

Além disso, os pacientes devem realizar uma biópsia prostática randômica e sistemática entre seis e doze meses após o tratamento, para comprovar a eficácia da terapia.

Por que as novas técnicas são importantes

O câncer de próstata é o segundo tipo mais comum entre os homens brasileiros, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Os tratamentos convencionais, embora eficazes, frequentemente trazem sequelas que afetam significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

As terapias focais aprovadas pelo CFM representam uma alternativa promissora para casos selecionados, permitindo o controle da doença com menor impacto nas funções urinária e sexual. No entanto, a entidade reforça que a indicação deve ser criteriosa e individualizada.


Fonte: CNN Brasil

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