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MPRO orienta estudantes sobre bullying e cyberbullying em ação que atingiu mais de 2 mil pessoas

Evento com Safernet Brasil marcou o Dia Nacional de Combate ao Bullying; saiba identificar sinais e como denunciar

Três em cada dez adolescentes brasileiros já sofreram bullying por causa de raça, aparência, religião, gênero, moradia ou condição financeira. O dado é de uma pesquisa divulgada pelo IBGE em 2025 e revela a dimensão de um problema que, na internet, ganha contornos ainda mais graves.

Para conscientizar jovens e educadores sobre o tema, o Ministério Público de Rondônia (MPRO) promoveu, nesta terça-feira (7/4), uma ação especial em parceria com a Safernet Brasil. O evento, que aconteceu de forma presencial e online, alcançou mais de duas mil pessoas em todo o estado.

O que foi o evento

A transmissão ocorreu pelo canal do MPRO no YouTube, com participação virtual de escolas estaduais e municipais. No auditório do MP, em Porto Velho, estiveram presentes estudantes das escolas Carmela Dutra, Duque de Caxias, Ulisses Guimarães e São Sebastião.

A iniciativa foi organizada pelo Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit) e pelo Grupo de Atuação Especial da Educação (Gaeduc). O evento marcou o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, instituído pela Lei nº 13.185, de 6 de novembro de 2015.

Bullying e cyberbullying: qual a diferença?

Quem explicou os conceitos foi Guilherme Alves, representante da Safernet Brasil. Segundo ele, o bullying é caracterizado por:

Intencionalidade: a vontade de perturbar, intimidar ou agredir


Repetição: o comportamento se repete ao longo do tempo


Desequilíbrio de poder: há uma relação desigual entre agressor e vítima

Já o cyberbullying é a versão virtual dessa prática. Nela, celulares, câmeras e redes sociais são usados para produzir e espalhar conteúdos de insulto, humilhação e violência psicológica. O palestrante alertou que o ambiente digital amplifica o dano, tornando a agressão mais visível, difundida e difícil de ser removida.


"O ambiente das redes amplifica a violência, tornando-a mais visível e difundida e, portanto, mais danosa", explicou Guilherme Alves.

Bullying agora é crime

Em 2024, a Lei nº 14.811 alterou o Código Penal para tipificar o bullying e o cyberbullying como crimes. As penalidades podem incluir:

Multa


De dois a quatro anos de prisão (no caso de cyberbullying)

O maior rigor para a versão virtual se justifica pelo efeito multiplicador da internet. Segundo o palestrante, pelo menos 30% dos casos relatados têm meninas como vítimas.

Novos riscos para crianças e jovens

Guilherme Alves também alertou sobre ameaças recentes ao bem-estar emocional de adolescentes, como:

Ferramentas de Inteligência Artificial (IA)


Subculturas de violência extrema que circulam na internet


Cultura de influenciadores sem responsabilidade ética


Popularização de jogos de azar online (as chamadas "bets")

O que fazer? Orientações para cada papel

O palestrante explicou que o bullying envolve três agentes: vítima, testemunha e autor. Para cada um, há recomendações específicas:

Se você é vítima:

Entenda que a culpa não é sua


Busque ajuda de um adulto de confiança


Não revide


Denuncie na plataforma onde ocorreu a agressão

Se você é testemunha:

Não fique em silêncio


Apoie quem está sofrendo a agressão


Não revide


Denuncie na plataforma e para um adulto

Se você é autor do bullying:

Reconheça o erro


Busque apoio para mudar a conduta

Canais de denúncia:

denuncie.org.br


canaldeajuda.org.br

O papel da escola e da sociedade

A promotora de Justiça Luciana Ondei Rodrigues, coordenadora do Gaeduc, abriu o evento agradecendo a participação de escolas e secretarias municipais de educação de 52 municípios.


"A educação é uma construção, que precisa da atuação de todos, incluindo estudantes e professores", destacou.

Já a promotora Tânia Garcia, coordenadora do Navit, reforçou a necessidade de um pensamento crítico para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital.


"É importante que os jovens tenham desenvolvimento pleno e saudável. Juntos, podemos contribuir para a execução de condutas que garantam uma vida livre de violações a meninos e meninas do nosso estado", afirmou.

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