Governo de Rondônia reforça importância de exames preventivos a partir dos 45 anos; doença silenciosa pode ser tratada quando diagnosticada precocemente
Porto Velho – Durante todo o mês de março, o governo de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), intensifica as ações da campanha Março Azul, dedicada à conscientização sobre o câncer colorretal, popularmente conhecido como câncer de intestino. O objetivo é alertar a população sobre os fatores de risco, os sinais da doença e, principalmente, a importância do diagnóstico precoce.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de cólon e reto é o terceiro tipo mais comum em Rondônia, com previsão de cerca de 210 novos casos entre 2023 e 2025. Apesar dos números, muitos desconhecem que essa é uma das doenças que mais matam no planeta.
"Hoje, ele é o segundo tipo de câncer que mais mata no mundo, ficando atrás apenas do câncer de pulmão, e os casos têm aumentado no Brasil ano após ano, inclusive entre pessoas mais jovens", alerta o proctologista Rodrigo Bastos, cirurgião do intestino, reto e ânus, que atende na Policlínica Oswaldo Cruz e no Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro.
Doença silenciosa: fique atento aos sinais
O grande perigo do câncer de intestino é o seu desenvolvimento silencioso. Nos estágios iniciais, pode não apresentar sintomas. Por isso, a recomendação dos especialistas é não esperar sentir dor para procurar ajuda.
Alguns sinais, no entanto, merecem atenção e investigação médica:
Diarreia ou constipação frequente;
Fezes mais finas do que o habitual;
Presença de sangue nas fezes;
Perda de peso sem motivo aparente;
Fraqueza e cansaço excessivo.
"O sangramento nas fezes nunca é normal. Quando isso acontece, a pessoa deve procurar atendimento médico o quanto antes, de preferência com um proctologista. Mesmo quando não se trata de câncer, investigar os sintomas ajuda a melhorar a qualidade de vida", reforça Rodrigo Bastos.
Quem deve fazer o exame e a partir de que idade?
A principal aliada no diagnóstico precoce é a colonoscopia, exame que permite visualizar todo o intestino grosso e identificar lesões suspeitas, inclusive antes de virarem câncer.
A recomendação médica é clara: todas as pessoas com 45 anos ou mais devem realizar a colonoscopia, mesmo sem sintomas. Quem tem histórico familiar da doença precisa de atenção ainda mais cedo.
"Filhos de pacientes diagnosticados devem procurar acompanhamento médico até mesmo na adolescência para receber orientações e realizar acompanhamento adequado", explica o especialista.
Além da colonoscopia, exames laboratoriais como o teste de sangue oculto nas fezes também auxiliam na investigação inicial.
Prevenção começa no prato e no estilo de vida
Os hábitos do dia a dia têm influência direta no desenvolvimento do câncer de intestino. Fatores de risco incluem:
Obesidade e sedentarismo;
Consumo frequente de alimentos ultraprocessados e defumados;
Dieta pobre em fibras (frutas, verduras e grãos);
Tabagismo e consumo excessivo de álcool.
A adoção de uma rotina mais saudável, com alimentação equilibrada e prática regular de exercícios, é a primeira barreira contra a doença.
Onde procurar ajuda em Rondônia?
A campanha Março Azul também tem o papel de informar a população sobre como acessar o sistema público de saúde. Em Rondônia, o atendimento segue um fluxo organizado:
Unidade Básica de Saúde (UBS): é a porta de entrada. O paciente passa por avaliação clínica.
Encaminhamento especializado: se houver suspeita ou necessidade, o paciente é regulado para exames ou consultas em unidades estaduais.
Exames e diagnósticos: o Estado disponibiliza os procedimentos no Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro, no Laboratório Estadual de Patologia (Lepac) e no Laboratório Central (Lacen), além da rede conveniada.
O secretário de Estado da Saúde, Jeferson Rocha, destaca o compromisso do governo com a prevenção. "Nosso compromisso é levar informação e ampliar o acesso da população aos serviços de saúde. A detecção precoce salva vidas e, por isso, o Governo de Rondônia investe continuamente na estrutura da rede pública, garantindo exames, consultas e tratamentos necessários para a população", afirmou.
Superando o tabu
Ainda existe resistência por parte da população em realizar exames que envolvem regiões íntimas do corpo. Para os médicos, esse preconceito precisa ser deixado de lado.
"Ainda existe um certo preconceito ou vergonha em relação aos exames, mas isso precisa ser superado. O câncer colorretal tem evolução rápida e a melhor forma de evitar complicações é a prevenção", alerta Rodrigo Bastos.
Quando descoberto no início, o câncer de intestino tem altas chances de cura e diversas possibilidades de tratamento, como:
Procedimentos por colonoscopia (remoção de lesões iniciais);
Cirurgias convencionais ou robóticas;
Quimioterapia e radioterapia, quando necessário.

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