Com tecnologia integrada e procedimentos padronizados, Rede PCI Conecta promete respostas mais rápidas e humanizadas às famílias em todo o estado
Porto Velho, RO – 26 de fevereiro de 2026
Em um estado marcado por extensas áreas de floresta e desafios logísticos típicos da Amazônia, encontrar uma pessoa desaparecida muitas vezes era uma corrida contra o tempo e contra a falta de integração entre os órgãos de segurança. Essa realidade começou a mudar na última sexta-feira (20), com o lançamento da Rede PCI Conecta em Rondônia.
A cerimônia, realizada em Porto Velho, marcou a adesão do estado a uma iniciativa nacional que promete revolucionar a forma como as polícias científicas trabalham na identificação de desaparecidos. O projeto é coordenado pelo Conselho Nacional de Dirigentes de Polícia Científica (CONDPCI) e busca unificar procedimentos em todo o país, em conformidade com a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas (Lei nº 13.812/2019).
O que muda na prática?
A Rede PCI Conecta não é apenas mais um sistema de computador. Ela representa uma mudança de cultura institucional. A partir de agora, as polícias científicas de Rondônia e de outros estados adotarão uma linguagem única e procedimentos padronizados para coletar e compartilhar informações.
Na prática, isso significa que:
Formulários unificados: Todos os dados coletados sobre uma pessoa desaparecida seguirão o mesmo padrão, facilitando o cruzamento de informações.
Integração de sistemas: As áreas de Genética Forense, Odontologia, Medicina Legal, Antropologia e Identificação Civil poderão trocar dados de forma ágil.
Procedimentos padronizados: A perícia seguirá os mesmos protocolos técnicos em qualquer lugar do país.
Inspirada em um programa bem-sucedido da Polícia Científica de Santa Catarina, a rede tem como objetivo encurtar o caminho entre a descoberta de um corpo não identificado e a resposta à família que o aguarda.
Números que pedem ação
A urgência da medida fica clara nos números. Só em 2025, Rondônia registrou 1.018 ocorrências de pessoas desaparecidas. No cenário nacional, foram 84.760 casos no mesmo período. Por trás de cada estatística, há uma história de angústia e espera.
Para o governador Marcos Rocha, o investimento em tecnologia e integração é uma prioridade. "A iniciativa amplia a capacidade de resposta do poder público, fortalece a atuação integrada das instituições e contribui para levar mais segurança e tranquilidade às famílias rondonienses", afirmou.
Tecnologia com rosto humano
O superintendente da Politec, Domingos Sávio, destacou que a Rede PCI Conecta representa um salto de qualidade para Rondônia. "Desde 2023, já estamos integrando milhares de registros ao cadastro nacional. Agora, com a padronização e a ampliação da colaboração entre perícias, vamos garantir respostas mais rápidas às famílias e mais efetividade nas investigações. É tecnologia unida ao compromisso humanitário", explicou.
O titular da Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec), Felipe Bernardo Vital, reforçou que a modernização dos serviços periciais fortalece todo o sistema de segurança. "Os investimentos em equipamentos e tecnologias não servem apenas para o enfrentamento à criminalidade. Eles também dão ao estado a capacidade de oferecer respostas mais humanizadas à sociedade, especialmente em casos tão sensíveis como o desaparecimento de pessoas."
Com a implantação da Rede PCI Conecta, Rondônia dá um passo decisivo para transformar a dor da espera em respostas concretas, unindo ciência, tecnologia e sensibilidade para aliviar o sofrimento de milhares de famílias

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