Últimas notícias

6/recent/ticker-posts

CNJ reforça segurança de dados no Judiciário com nova regra para Inteligência Artificial

 Conselho inclui encarregado de proteção de dados no Comitê Nacional de IA para garantir que tecnologias respeitem a privacidade e a LGPD desde sua criação

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deu um passo importante para garantir que a modernização tecnológica no Poder Judiciário ande de mãos dadas com a proteção da privacidade. Em decisão tomada durante a 1ª Sessão Virtual de 2026, o Plenário aprovou a inclusão do conselheiro encarregado pelo Tratamento de Dados Pessoais como membro nato do Comitê Nacional de Inteligência Artificial.

Na prática, a medida significa que, a partir de agora, quem entende de proteção de dados terá assento garantido nas discussões sobre o uso de Inteligência Artificial (IA) nos tribunais brasileiros. O objetivo é assegurar que as novas ferramentas tecnológicas sejam desenvolvidas e aplicadas em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Tecnologia com Responsabilidade

O relator da matéria, conselheiro Rodrigo Badaró, explicou que a presença do encarregado no Comitê não é apenas simbólica. Ela cria um espaço institucional para que as questões de privacidade sejam debatidas tecnicamente, desde o planejamento até a execução dos sistemas de IA.

"Essa integração confere ao Comitê uma maior articulação técnica e de responsabilização, capaz de difundir no Judiciário os princípios do sistema brasileiro de proteção de dados, como finalidade, necessidade, transparência, prevenção e responsabilidade", destacou Badaró.

O encarregado de dados é o profissional designado por cada tribunal para atuar como ponte entre a instituição, os cidadãos (titulares dos dados) e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Com a nova regra, esse profissional terá voz ativa nas decisões sobre IA.

Privacidade desde o Projeto

Um dos conceitos-chave reforçados pela medida é o de "privacy by design" (privacidade desde a concepção). Isso significa que as soluções de IA não serão mais pensadas primeiro e ajustadas depois para proteger dados. Agora, a privacidade deverá ser incorporada em todas as etapas: da criação ao funcionamento, passando pela auditoria.

Outro princípio fundamental é o "privacy by default" (privacidade por padrão), que garante que as configurações padrão dos sistemas já venham com o nível máximo de proteção, sem que o usuário precise fazer ajustes manuais.

Badaró ressalta que essa aproximação entre o Comitê de IA e a função do encarregado reduz falhas de interpretação e fortalece a responsabilização. "Assegura-se que a perspectiva de proteção de dados esteja presente nas fases de proposição, avaliação, supervisão e revisão de modelos decisórios baseados em IA", completou.

O Papel dos Encarregados nos Tribunais

A figura do encarregado pelo tratamento de dados pessoais foi criada pela Resolução CNJ nº 363, de 2021, como parte do esforço para adequar o Judiciário à LGPD. Esses profissionais — que podem ser servidores efetivos, comissionados ou terceirizados — precisam ter conhecimento técnico e jurídico para garantir que os tribunais cumpram a lei e mantenham práticas seguras e transparentes no uso de informações pessoais.

Postar um comentário

0 Comentários