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Judicialização da saúde tem primeira queda da história no Brasil; conciliação é aposta do Judiciário

Dados do CNJ mostram redução de 6% nas ações de saúde pública em 2025; estoque de processos, porém, ainda preocupa e ultrapassa 895 mil casos

Pela primeira vez, número de novas ações de saúde cai no Brasil, mas acervo de processos segue alto

Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou um dado inédito e animador: pela primeira vez desde o início da série histórica, o número de novos processos relacionados à saúde apresentou queda no país. A redução foi de quase 1% no total de ações protocoladas, puxada principalmente pela saúde pública, que registrou diminuição de 6% em 2025.

Os números fazem parte do Painel de Estatísticas Processuais de Direito à Saúde e foram apresentados durante a primeira reunião do ano do Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde (Fonajus) , pela conselheira Daiane Nogueira de Lira, supervisora do colegiado.

Cenário por setor

Na saúde pública, foram distribuídas 353.934 novas ações em 2025, uma queda de 6% em relação ao ano anterior. Já na saúde suplementar (planos privados), houve um aumento de 6% no número de ações, mas ainda assim o índice foi o menor desde 2020.

Segundo a conselheira Daiane Lira, o cenário sugere uma tendência de estabilização, influenciada por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo trabalho dos comitês estaduais de saúde.

O problema do estoque

Apesar da queda nas novas ações, o número de processos pendentes (o chamado "estoque") continua alto e preocupa. Em 2024, eram cerca de 858,5 mil casos aguardando solução. Em 2025, esse número subiu para aproximadamente 895 mil.

O crescimento do acervo, segundo a conselheira, está ligado a dificuldades no cumprimento das decisões judiciais e na baixa definitiva dos processos – ou seja, casos que deveriam ser encerrados, mas seguem emperrados por questões burocráticas.

"Vamos atuar de forma mais firme nessa questão, mas acreditamos que esses números sejam reflexo da dificuldade com a execução das decisões e a baixa definitiva dos processos", explicou Daiane Lira.

Parceria com o Ministério da Saúde

Para tentar resolver esse gargalo, o Ministério da Saúde firmou um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com a Secretaria de Saúde de Santa Catarina, focado no aprimoramento do cumprimento de decisões judiciais. O objetivo é agilizar o fornecimento de medicamentos e insumos, especialmente nos casos em que a responsabilidade é da União.

O modelo foi desenvolvido em parceria com o Fonajus e segue o que foi definido pelo STF nos Temas 1234 e 6, que tratam da racionalização de fluxos e do compartilhamento de responsabilidades entre os entes federativos.

Entre as ações previstas está a ampliação das Atas de Registro de Preços para medicamentos mais judicializados, permitindo respostas administrativas mais rápidas e evitando contratações emergenciais.

Saúde suplementar também na mira

A judicialização na saúde suplementar também é alvo de atenção. Dos 895.368 processos pendentes no país, 177.574 estão no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) , sendo 66% deles relacionados a planos de saúde.

Para lidar com esse volume, o TJSP criou um subcomitê estadual específico e um Núcleo 4.0 de Saúde, com reforço para julgamentos em segunda instância.

Conciliação como caminho

No âmbito nacional, o Fonajus planeja inserir metas específicas de conciliação e mediação em saúde nas Metas Nacionais do Judiciário. A ideia é reduzir a litigiosidade, incentivando acordos antes que os casos se transformem em longas batalhas judiciais.

Outra frente de atuação é o diálogo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para criar um módulo específico do e-NatJus (sistema de apoio técnico a magistrados) voltado à saúde suplementar, além de ampliar o uso da Notificação de Intermediação Preliminar (NIP) , mecanismo de resolução consensual.

Fonajus Itinerante

As discussões sobre o tema vão continuar nos estados com a retomada do Fonajus Itinerante. O primeiro encontro está marcado para ocorrer no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) , entre os dias 4 e 6 de março, reunindo magistrados e especialistas para debater soluções locais para a judicialização da saúde.

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