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Deputada Cláudia de Jesus quer Teatro Guaporé de volta à gestão da Cultura e revogação de concessão ao TJ

Indicação protocolada na Alego reforça posicionamento do Conselho Estadual de Cultura, que aponta falta de diálogo na cessão do espaço ao Judiciário por 20 anos

Porto Velho – A deputada estadual Cláudia de Jesus (PT) protocolou uma indicação oficial junto ao Governo de Rondônia solicitando a revogação imediata da concessão do Teatro Guaporé ao Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO) e a devolução da administração do espaço à Fundação de Cultura do Estado de Rondônia (Funcer). O documento foi encaminhado à Secretaria de Estado do Esporte, Cultura e Lazer (Sejucel) nesta quinta-feira (19) .

A parlamentar argumenta que a gestão de equipamentos culturais deve permanecer sob responsabilidade de órgãos técnicos especializados para garantir autonomia artística, pluralidade de linguagens e acesso democrático da população aos espaços públicos de cultura .

Falta de diálogo e participação popular

Um dos pontos centrais da argumentação da deputada é a ausência de debate prévio com a sociedade civil e com o Conselho Estadual de Política Cultural (CEPC) antes da decisão de transferir o teatro ao Judiciário. A concessão, firmada por um período de 20 anos, teria sido realizada sem consulta aos setores artísticos e aos órgãos de participação social .

"A concessão ao Poder Judiciário, sem debate prévio com o conselho setorial e a sociedade civil, levanta questionamentos quanto à transparência e à participação popular na definição de políticas culturais", afirmou a deputada .

O CEPC já havia se manifestado contrariamente à medida, entregando na quarta-feira (18) um parecer técnico à Funcer que aponta questionamentos jurídicos, administrativos e de política pública cultural sobre a cessão do espaço . O documento analisa o Termo de Destinação e Responsabilidade firmado entre os órgãos estaduais e questiona especialmente a finalidade cultural do equipamento e a competência legal para sua gestão .

Patrimônio histórico da cultura rondoniense

"O Teatro Guaporé é um espaço histórico da cultura rondoniense, reconhecido por sua tradição de apresentações gratuitas e acessíveis. Defendemos que sua administração permaneça na esfera cultural, assegurando liberdade de expressão, valorização dos artistas locais e fortalecimento da economia criativa do Estado", declarou Cláudia de Jesus .

O teatro é considerado um dos poucos espaços culturais de médio porte em funcionamento regular em Rondônia, sendo historicamente utilizado para apresentações artísticas, festivais, ações formativas e circulação cultural .

Questionamentos técnicos e jurídicos

Do ponto de vista jurídico, o Conselho Estadual de Política Cultural avalia que a transferência da gestão do Teatro Guaporé ao Tribunal de Justiça não encontra respaldo na legislação vigente. O teatro é um bem público de uso especial, criado com finalidade cultural específica, juridicamente vinculada à política cultural do Estado .

A Constituição Federal, em seu artigo 216, estabelece o dever do Poder Público de proteger e promover o patrimônio cultural, o que inclui a garantia de sua função cultural ativa e acessível à sociedade. Qualquer alteração estrutural dessa finalidade exigiria lei específica e debate público qualificado .

No âmbito estadual, as Leis Complementares nº 773/2014 e nº 965/2017, bem como o Decreto nº 22.842/2018, atribuem à Funcer a competência para gerir equipamentos culturais. Já a Lei Complementar nº 94/1993, que organiza o Tribunal de Justiça do Estado, não prevê entre suas atribuições a gestão de espaços culturais .

Contexto de fragilização da política cultural

O CEPC também chama atenção para o cenário mais amplo de financiamento da cultura em Rondônia. Em 2025, o investimento estadual previsto no Fundo Estadual de Desenvolvimento da Cultura (FEDEC/RO) foi de aproximadamente R$ 3 milhões para atender ações culturais nos 52 municípios do estado, valor considerado insuficiente para estruturar políticas públicas contínuas .

Além disso, o Conselho destaca perdas expressivas de recursos federais nos últimos anos, como cerca de R$ 20 milhões da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) não executados e aproximadamente R$ 10 milhões dos Arranjos Regionais não aderidos no Edital da Ancine. No total, cerca de R$ 30 milhões deixaram de circular na economia cultural rondoniense .

Próximos passos

A indicação da deputada segue agora para análise do Poder Executivo. O Conselho Estadual de Política Cultural informou que buscará reunião com o governador para tratar do tema e de outras demandas da cultura, mas que até o momento não houve confirmação de encontro institucional

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