Nova API permite que tribunais, polícias e órgãos de segurança compartilhem informações automaticamente sobre veículos, dinheiro e objetos sob custódia da Justiça
Brasília – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deu um passo importante para modernizar a gestão de bens apreendidos no Brasil. A nova ferramenta, uma API (Interface de Programação de Aplicações), foi desenvolvida para integrar automaticamente os sistemas utilizados por tribunais, polícias e outros órgãos de segurança ao Sistema Nacional de Gestão de Bens (SNGB). A solução já está disponível e promete revolucionar a forma como o país controla itens como veículos, dinheiro, armas e outros objetos que ficam sob custódia da Justiça.
O que é e como funciona
A API funciona como uma "ponte digital" que permite que diferentes sistemas conversem entre si de forma automatizada. Na prática, isso significa que, quando uma polícia ou tribunal registra a apreensão de um bem em seu sistema local, essa informação pode ser enviada instantaneamente ao SNGB, sem necessidade de digitação manual ou envio de planilhas.
O modelo adotado é assíncrono e baseado em mensageria: as solicitações enviadas pelos sistemas externos entram em uma fila de processamento e o remetente recebe posteriormente uma confirmação sobre o status da operação. Isso garante maior segurança, escalabilidade e tolerância a falhas, além de permitir a rastreabilidade completa de cada envio.
Por que isso é importante
Atualmente, o Brasil enfrenta desafios na gestão de bens apreendidos. Objetos, veículos e até grandes quantias em dinheiro ficam anos armazenados em depósitos públicos, muitas vezes se deteriorando ou perdendo o valor, enquanto aguardam decisão judicial. Além disso, a falta de integração entre sistemas dificulta o controle e abre brechas para extravios e irregularidades.
Com a nova solução, o CNJ busca resolver esses problemas ao:
Padronizar o envio de dados: Todos os órgãos passarão a usar a mesma linguagem (a Taxonomia Nacional de Bens de Interesse à Apreensão - TNBIA) para classificar os bens.
Automatizar processos: Reduz o retrabalho e elimina a duplicidade de registros.
Aumentar a confiabilidade: Informações mais precisas e atualizadas fortalecem a transparência.
Facilitar a fiscalização: Órgãos de controle podem acompanhar em tempo real a situação de cada bem apreendido.
A medida atende à Resolução n. 626 do CNJ, que obriga instituições a enviar dados de bens apreendidos ao SNGB, seja por integração via API ou por acesso direto ao sistema.
Benefícios para a sociedade
A juíza auxiliar da Presidência do CNJ e coordenadora do SNGB, Viviane Rebello, destacou o impacto positivo da novidade. "A integração dos sistemas ao SNGB representa um passo importante na consolidação de uma política nacional de gestão de bens apreendidos, fortalecendo a cooperação entre o Judiciário e os órgãos parceiros e garantindo maior transparência e eficiência na administração desses ativos em benefício da sociedade", afirmou.
Com um controle mais eficiente, bens apreendidos podem ser leiloados ou destinados mais rapidamente a órgãos públicos que deles necessitem, como veículos para polícias ou equipamentos para hospitais. Em alguns casos, os valores arrecadados podem ser revertidos para programas sociais ou para os cofres públicos.
O que é o SNGB
O Sistema Nacional de Gestão de Bens (SNGB) é uma plataforma desenvolvida pelo Programa Justiça 4.0, uma parceria entre o CNJ e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O sistema permite que tribunais cadastrem bens, valores, documentos e objetos com restrição judicial, vinculando-os a processos e pessoas, e registrem toda a movimentação pela qual passam, desde a apreensão até a destinação final (alienação, devolução, perdimento ou destruição).
Além da Justiça Criminal, o sistema atende também a Justiça Cível e Trabalhista, garantindo que as partes recebam o que lhes é de direito e contribuindo para reduzir custos de manutenção em espaços judiciais e das polícias.
Próximos passos
A API já está disponível em ambientes de homologação e produção, acompanhada de documentação técnica e interface pública para que as equipes de desenvolvimento dos órgãos possam realizar testes e adaptar seus sistemas. Orientações detalhadas estão disponíveis no manual técnico do SNGB.
Com essa iniciativa, o CNJ reforça o compromisso com a modernização do Judiciário e a eficiência na gestão pública, garantindo que bens apreendidos cumpram sua função social e não se tornem apenas mais um problema de armazenamento para o Estado.

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