Em Porto Velho, políticas públicas e eventos culturais fortalecem a voz da mulher negra e reforçam a importância da ancestralidade na construção de um futuro com mais igualdade.
A celebração do Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, vai muito além de uma data simbólica. É um período de intensa reflexão sobre o combate ao racismo, o resgate da ancestralidade e a luta por espaços de fala e poder. Em Porto Velho, essa mobilização ganha vida por meio de políticas públicas para mulheres e eventos culturais que colocam a resistência negra em evidência.
A história da servidora pública Carolina Martins é um exemplo vivo dessa trajetória. Criada em um ambiente onde a força feminina negra era sinônimo de resistência e cuidado, ela hoje utiliza esse legado em seu trabalho como gerente de Políticas Assistenciais para Mulheres. Seu dia a dia é dedicado a acolher mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade, ajudando-as a reconstruir suas vidas.
A Luta Diária por Reconhecimento e Liberdade
Carolina compartilha que a experiência com o racismo é uma realidade constante, que molda e impulsiona sua atuação. "Eu já sofri racismo. É uma pauta recorrente. Todos os dias é uma luta constante por espaço e por reconhecimento", relata. Ela destaca que a batalha é para que as mulheres negras possam não apenas ocupar mais posições na sociedade, mas, essencialmente, viver livremente.
"A gente não tem como lutar sem saber da nossa ancestralidade. A gente não tem como combater o racismo sozinho, todos precisam entrar nessa batalha", reforça a gerente, enfatizando a importância do conhecimento das raízes e de uma luta coletiva.
Políticas Públicas que Empoderam
Sob a gestão da Coordenadoria de Políticas Públicas Para Mulheres (CPPM), a Prefeitura de Porto Velho tem reformulado suas iniciativas. Foram incorporadas às políticas assistenciais do município ações como rodas de empoderamento feminino, atividades culturais e projetos específicos voltados para o acolhimento e fortalecimento das mulheres negras.
Essas medidas visam fortalecer o protagonismo feminino e abrir portas para aquelas que, historicamente, foram silenciadas. Celebrar o Dia da Consciência Negra, portanto, significa reafirmar o compromisso com a construção de uma sociedade mais justa, plural e antirracista.
Sarau Une Arte e Ativismo na Amazônia
Integrando a mobilização internacional dos "21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher e contra o Racismo", Porto Velho sedia o sarau “Corpos que Falam, Vozes que Lutam”.
O evento acontece no dia 20 de novembro, das 19h às 23h, no Mercado Cultural, e promove uma noite de poesia, música e debates. A programação destaca a arte como instrumento de transformação social e a valorização da rica cultura afro-amazônica.
Além das apresentações artísticas, o público poderá visitar uma feira regional com exposição de artesanato e trancismo, fortalecendo o empreendedorismo local e celebrando a resistência e a identidade negra na região.

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