Últimas notícias

6/recent/ticker-posts

Congresso Derruba Vetos e Aprova Nova Lei do Licenciamento Ambiental: O Que Muda?

Parlamentes restabelecem regras que limitam a análise em terras indígenas, criam a "licença por compromisso" e dispensam licenciamento para obras de manutenção. Entenda os principais pontos.

Em uma decisão que define o futuro da política ambiental no país, o Congresso Nacional derrubou, em 27 de novembro de 2025, a maioria dos vetos do presidente Lula ao projeto da Lei Geral do Licenciamento Ambiental. A medida incorpora ao texto legal uma série de mudanças que flexibilizam regras para empreendimentos, gerando debates acalorados entre defensores do desenvolvimento econômico e ambientalistas.

A sessão conjunta garantiu a maioria necessária para derrubar os vetos, que foram rejeitados por mais de 260 deputados e 50 senadores. Os trechos aprovados serão enviados para promulgação.

Principais Mudanças Aprovadas pelo Congresso

Confira os pontos-chave que passarão a valer com a nova lei:

1. Terras Indígenas e Quilombolas:

  • A consulta a órgãos como a Funai será limitada a terras indígenas já homologadas e a áreas quilombolas tituladas.

  • Mesmo um parecer contrário dessas autoridades não vinculará a decisão final do órgão ambiental licenciador.

2. Licença por Adesão e Compromisso (LAC):

  • O mecanismo da LAC foi restaurado e poderá ser usado para empreendimentos de médio potencial poluidor e para a regularização de atividades já existentes que estão irregulares.

  • O cumprimento das regras para regularização pode levar ao fim da punibilidade por crimes ambientais relacionados.

3. Unidades de Conservação:

  • O órgão responsável pela administração de uma unidade de conservação perde o poder de veto sobre empreendimentos que possam afetá-la.

  • Para realizar estudos nessas áreas, o empreendedor precisará apenas fazer uma comunicação prévia ao órgão gestor, com 15 dias de antecedência.

4. Mata Atlântica:

  • Acaba a necessidade de autorização para desmatamento de vegetação primária ou em estágio avançado de regeneração.

  • Municípios que possuem conselho de meio ambiente não precisarão mais autorizar o desmatamento de vegetação em estágio médio.

5. Obras e Fiscalização:

  • Dispensa de licenciamento para obras de manutenção em infraestrutura existente, como rodovias pavimentadas e dragagens.

  • Se um órgão ambiental aplicar uma multa, mas o órgão licenciador decidir que não houve infração, a punição poderá ser anulada.

Debate no Congresso Reflete Divergências

A votação foi marcada por posições antagônicas entre os parlamentares.

A Favor da Derrubada:
Para deputados como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), os vetos presidenciais "colocavam travas no agronegócio". Já Zé Vitor (PL-MG) argumentou que o texto moderniza e garante que os estudos de impacto necessários sejam realizados, com medidas de controle ambiental.

Contra a Derrubada:
Do outro lado, a deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) classificou a decisão como um "grave erro histórico", citando os riscos de tragédias como Mariana e Brumadinho. Nilto Tatto (PT-SP) questionou a urgência da votação às vésperas da COP-30 e destacou que o governo Lula trabalha para restabelecer a capacidade de análise dos órgãos ambientais.

O governo federal havia justificado os vetos com base em alegadas inconstitucionalidades, no enfraquecimento da proteção ambiental e no desrespeito a direitos de povos indígenas e ao Código Florestal. Com a derrubada, o Congresso sinaliza um novo caminho para o licenciamento ambiental no Brasil.

Postar um comentário

0 Comentários