O Brasil registrou uma redução significativa no número de famílias que passam fome. Dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo IBGE mostram que 624 mil lares saíram da insegurança alimentar grave entre 2023 e 2024, uma queda de 19,9%.
Os números são da edição especial da Pnad Contínua sobre Segurança Alimentar, que investiga o acesso da população aos alimentos. Em 2024, 2,5 milhões de domicílios ainda enfrentavam a forma mais severa de insegurança alimentar – onde a fome é uma experiência vivida, inclusive por crianças. No ano anterior, esse contingente era de 3,1 milhões de lares.
Melhora Geral no Acesso à Comida
O estudo aponta uma evolução positiva no quadro geral de alimentação dos brasileiros. O percentual de domicílios em situação de segurança alimentar – que têm acesso suficiente e regular à comida – subiu de 72,4% em 2023 para 75,8% em 2024.
Isso significa que, atualmente, 75,8% das famílias brasileiras não precisam se preocupar com a falta de alimentos. Na prática, o número total de lares que superaram algum tipo de insegurança alimentar (seja leve, moderada ou grave) foi de 2,2 milhões em um ano.
Desigualdades Regionais Ainda São um Desafio
Apesar da melhora nacional, a pesquisa do IBGE escancara as desigualdades regionais do país. Enquanto estados como Santa Catarina (90,6%), Espírito Santo (86,5%) e Rio Grande do Sul (85,2%) têm os maiores índices de segurança alimentar, as regiões Norte e Nordeste concentram os piores indicadores.
No Norte, 14,1% dos lares enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave. No Nordeste, esse percentual é de 12,3%. Os estados do Pará (55,4%), Roraima (56,4%) e Piauí (60,7%) têm as menores taxas de segurança alimentar do país.
Mercado de Trabalho e Programas Sociais Como Fatores-Chave
De acordo com a pesquisadora do IBGE Maria Lucia Vieira, a melhora no indicador está diretamente ligada a geração de renda.
“Para adquirir alimentos, vai ser através de renda. Essa renda ou vem do trabalho ou de programas [assistenciais]”, afirmou. Ela ressaltou que, embora a pesquisa não meça o impacto específico de cada fator, os programas sociais “certamente têm” influência na queda da fome.
Os dados consolidam a saída do Brasil do Mapa da Fome, um indicador da ONU que classifica países onde mais de 2,5% da população sofre com a fome crônica. O combate à insegurança alimentar segue como uma das principais bandeiras do governo federal no plano interno e internacional.

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