
Ao todo são três operações que ocorrem de forma simultânea em sete estados do Brasil
Porto Velho, RO - A
Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (7/7) as Operações
Ganância, Golden Greed e Comando. O objetivo é combater os crimes de
extração e comércio ilegais de ouro no norte do país, além de lavagem de
dinheiro, corrupção, organização criminosa, dentre outros.
Estão
sendo cumpridos 82 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de
prisão preventiva, nos estados do Acre, Goiás, Pará, Rio de Janeiro, Rio
Grande do Sul, Rondônia e Mato Grosso.
Ganância
Policiais
federais cumprem 65 mandados judiciais, sendo 5 de prisões preventivas e
60 de busca e apreensão, expedidos pela 3ª Vara Criminal da Justiça
Federal de Porto Velho/RO, nos estados de Rondônia, Pará, Goiás, Rio de
Janeiro, Mato Grosso e Acre.

As investigações da Operação Ganância começaram em fevereiro de 2021
após uma denúncia envolvendo empresas de Porto Velho/RO ligadas ao ramo
da saúde, as quais estariam lavando dinheiro de valores recebidos em
licitações fraudulentas.
Após as primeiras diligências,
verificou-se que recursos ilícitos injetados em empresas da capital
rondoniense eram oriundos de garimpo ilegal, praticado, pelo menos,
desde 2012 pelos líderes da organização criminosa.
A partir de
então, foi revelada uma movimentação de quantias bilionárias pelo grupo
criminoso, com depósitos e saques milionários em espécie, empresas de
fachada e transferências bancárias entre envolvidos.

Foram identificados diversos meios de lavagem de capitais praticados
pela organização criminosa, com destaque entre os modus operandi, a
criação de um criptoativo (token) próprio de uma das empresas, com a
finalidade de justificar os valores advindos da extração ilegal do ouro
nas empresas dos criminosos, como se fossem investimentos de terceiros
interessados em receber dividendos.
A análise bancária feita pela
Polícia Federal apontou ainda que, entre os anos de 2019 e 2021, o
grupo criminoso movimentou mais de R$ 16 bilhões de reais em suas contas
bancárias. Foi possível demonstrar que a mineradora investigada
“esquentava” o ouro extraído ilegalmente de outros garimpos da região
norte do país utilizando-se de licenças ambientais inválidas e
extrapolando os limites da licença de pesquisa e da guia de utilização
que possuía para o local. Estima-se que o rendimento da empresa tenha
sido de R$ 1,1 bilhão.
O valor do impacto ambiental em apenas um
dos garimpos identificados na operação foi estimado em cerca de R$ 300
milhões. Nesse garimpo, a área impactada pelos danos relativos à
extração de ouro, que são cumulativos e potencialmente irreversíveis,
chegaram ao total de 212 campos de futebol.
A Justiça Federal
deferiu o bloqueio, sequestro e o arresto dos bens móveis e imóveis dos
investigados até o limite de R$ 2 bilhões.
Golden Greed
Policiais
federais cumprem 17 mandados de busca e apreensão, expedidos pela
Justiça Federal em Jundiaí/SP, nos estados do Acre, Goiás, Pará, Rio de
Janeiro e Rio Grande do Sul, direcionados aos integrantes da organização
criminosa identificada, incluindo alguns servidores da Agência Nacional
de Mineração do Pará.
A ação, que ocorre em conjunto com a
Controladoria-Geral da União (CGU), é a segunda fase da Operação Gold
Rush e avança na investigação de organizações criminosas que atuam na
extração e comércio ilegais de ouro no Pará.
Além disso, a
Justiça Federal de Jundiaí determinou: a apreensão de dezenas de
veículos e máquinas utilizadas na extração de ouro; o sequestro de cinco
aeronaves e um helicóptero; o bloqueio de contas dos investigados até o
valor de R$ 1,1 bilhão, bem como a suspensão das atividades da
mineradora envolvida na apuração.
Comando
Policiais
federais cumprem cinco mandados de busca e apreensão, expedidos pela 2ª
Vara Federal de Jundiaí/SP, em Goiás e no Pará.
As
investigações, no início, tinham por objetivo de identificar organização
criminosa dedicada ao tráfico internacional de drogas, especializada no
transporte de carregamentos de cocaína utilizando-se de aviões. O grupo
em questão adquiria grandes quantidades de cocaína, na região
fronteiriça do Mato Grosso do Sul com o Paraguai, e levava, em aeronaves
privadas para a região de Jundiaí/SP.

Com a identificação de uma das aeronaves utilizadas, foi possível
localizar, também, o hangar usado no aeródromo da referida cidade e seu
administrador. Após a prisão do fornecedor das drogas no Paraguai, o
hangar deixou de ser utilizado pela organização criminosa voltada ao
tráfico.
Entretanto, elementos colhidos no curso das
investigações demonstraram que um outro esquema de transporte, em tese
ilegal, estava sendo realizado no mesmo local: o de ouro. Foi averiguado
que o minério era transportado do Pará para o estado de São Paulo,
utilizando-se do mesmo hangar, cujo administrador estava sendo
investigado.
Com a continuidade das investigações, foram
identificados vários indivíduos envolvidos nas atividades ilícitas
(pilotos, aeronaves, intermediários, mineradoras e seus proprietário) e
efetuadas várias apreensões de ouro extraídos e comercializados de forma
ilegal.
Crimes investigados
Os crimes apurados nas
investigações são os de usurpação de bem mineral da União, receptação
qualificada, falsidade Ideológica, redução do pagamento de tributos
federais, corrupção ativa e passiva, promoção de organização criminosa,
crimes ambientais, dentre outros.
Fonte: Blog do Caldeira / reprodução de Oobservador

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