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Exposição “Onde me encontro” dá voz e vez a mulheres autistas em Rondônia

Projeto da Sesau utiliza arte e autoexpressão para fortalecer a cidadania e o pertencimento de mulheres no espectro autista

Em alusão ao Abril Azul – mês dedicado à conscientização sobre o espectro autista – a Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia (Sesau) lançou um projeto artístico que coloca mulheres autistas no centro da cena. Batizada de “Onde me encontro”, a iniciativa incluiu oficinas de auto pintura e uma exposição gratuita aberta ao público em Porto Velho.

O objetivo é simples e poderoso: oferecer um espaço onde mulheres que possuem laudo ou se identificam dentro do espectro autista possam se expressar livremente por meio da arte.

Arte como ferramenta de inclusão

Durante todo o mês de março, foram realizadas quatro oficinas de auto pintura, sendo duas delas no Centro de Reabilitação de Rondônia (Cero). A proposta convidava cada participante a desenhar o contorno do próprio corpo em tamanho real. Em cima dessa silhueta, elas usaram colagens, desenhos e cores para representar emoções, vivências e sensações – criando um verdadeiro autorretrato emocional.

A exposição das obras começou na última segunda-feira (6) e segue até o fim de semana no Sesc Cultural, localizado em Porto Velho. A entrada é franca.

Visibilidade para um público muitas vezes esquecido

O governador de Rondônia, Marcos Rocha, destacou a relevância do projeto para um grupo que, segundo ele, ainda sofre com a invisibilidade social.


“A arte se torna um instrumento de cidadania e de pertencimento, fortalecendo a participação dessas mulheres do espectro na vida social e cultural de Rondônia”, afirmou o gestor.

O secretário de Estado da Saúde, Edilton Oliveira, complementou:


“Ao promover oficinas de arte e dar visibilidade às produções dessas mulheres, estamos fortalecendo a inclusão e mostrando que o cuidado integral envolve acolhimento, expressão e reconhecimento.”

Idealizadora se inspira em vivência pessoal

O projeto foi idealizado e conduzido pela bacharel em Belas Artes, Silvia Feliciano. A motivação veio de perto: Silvia é casada com uma pessoa autista que ainda está em processo de se reconhecer dentro do espectro. Essa experiência pessoal despertou nela a urgência de criar um espaço acolhedor – especialmente para mulheres.


“Muitas mulheres passam a vida inteira aprendendo a se adaptar, a imitar comportamentos para serem aceitas. Isso faz com que o autismo passe despercebido, mas não diminui o impacto emocional dessa experiência”, explica Silvia.

Por que o nome “Onde me encontro”?

O título da exposição reflete justamente essa jornada interna: um processo de autodescoberta, aceitação e expressão sem máscaras. Ao desenhar o próprio corpo e preenchê-lo com significados pessoais, cada participante diz, sem palavras: é aqui que estou, é assim que me sinto.

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