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Reconhecer a violência é o primeiro passo para impedir que ela avance

Campanha do CNJ "A violência não mora aqui" ensina a identificar os sinais de abuso que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia

A violência doméstica contra a mulher raramente começa com gritos ou agressões físicas. Ela se instala aos poucos, em gestos aparentemente inofensivos, frases disfarçadas de preocupação e atitudes que se repetem até que o controle, o isolamento e o medo se tornem parte da rotina.

Pensando nisso, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou neste mês de março a campanha "A violência não mora aqui". Na primeira semana da iniciativa, o foco é justamente ajudar a sociedade a enxergar os sinais que muitas vezes são ignorados ou normalizados.


Quando o abuso se disfarça de cuidado

Muitas pessoas convivem por tanto tempo com comportamentos abusivos que acabam achando normal o que não é. Identificar a violência nem sempre é simples, mas é fundamental para interromper o ciclo antes que ele avance.

A campanha apresenta a história de Violeta, uma personagem fictícia de 23 anos que representa situações reais vividas por milhares de mulheres. Sempre alegre e comunicativa, Violeta começou a mudar seu comportamento diante das violências praticadas pelo companheiro dentro de casa. Sem compreender exatamente o que estava acontecendo, passou a sentir angústia constante e medo. As ameaças, os gritos e a quebra de objetos criaram um ambiente de terror silencioso, fazendo com que a jovem se tornasse retraída e se afastasse de amigos e familiares.

Foi somente quando tomou conhecimento sobre as diferentes formas de violência que Violeta compreendeu sua situação e buscou ajuda. Conversou com amigas, ligou para o Ligue 180, recebeu orientação e solicitou medidas protetivas ao juízo. A Justiça agiu rapidamente: determinou o afastamento imediato do agressor do lar e proibiu que ele se aproximasse dela. Amparada pelas medidas de proteção, Violeta começou a reconstruir sua vida, recuperando o sono e, principalmente, a própria voz.


Violência vai além das agressões físicas

É importante lembrar: os abusos não acontecem apenas em relacionamentos amorosos ou em relações heterossexuais. A Lei Maria da Penha (Lei n. 11.340/2006) pode ser aplicada em diferentes contextos, como:

  • Relação de empregadas domésticas com a família para quem trabalham

  • Vínculos entre avós e netos

  • Relações entre tios, primos, companheiros, namorados e ex-parceiros

  • Até mesmo nas relações entre pai ou mãe e filha


Os tipos de violência previstos em lei

A legislação brasileira reconhece cinco formas de violência doméstica contra a mulher:

TipoO que é
FísicaAgressões com uso da força, como tapas, socos, empurrões e estrangulamento
PsicológicaAmeaças, humilhações, manipulação, isolamento e controle
SexualAtos sexuais forçados ou constrangimento
PatrimonialDestruição de objetos, controle do dinheiro e retenção de documentos
MoralCalúnias, difamação e injúrias

Ao perceber qualquer um desses sinais, é fundamental buscar apoio de pessoas próximas ou recorrer à rede de atendimento especializado.

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