Atacante marcou dois gols na goleada sobre o Peru após ser cortada da lista final e reconquistar vaga; Brasil encara a Argentina nesta sexta (13)
"A gente foi para a Granja, ficamos duas semanas, que foi muito incrível. Treinei muito bem, estava muito tranquila comigo mesma. Cheguei aqui, consegui me ambientar muito rápido. Estreei ontem e agora sim é o momento mais feliz da minha vida", celebrou a atacante, em entrevista ao site da CBF.
Resiliência e oportunidade
A trajetória de Maria Clara Nogueira de Sousa até o Sul-Americano Sub-20 não foi linear. Convocada inicialmente para o período de treinos na Granja Comary entre 30 atletas, ela ficou de fora da lista final para a competição. O sonho parecia adiado, mas uma nova chance surgiu com o corte de Júlia Martins, vítima de uma entorse no joelho esquerdo.
Nogueira foi chamada para ocupar a vaga e não apenas correspondeu: brilhou. Titular na partida contra o Peru, ela demonstrou personalidade e confiança.
"Eu estava muito tranquila, com uma ansiedade boa. A felicidade de estar ali jogando pela Seleção me deixou muito confortável. Fiz uma oração antes do jogo, pedindo para Deus me abençoar. Pedi que eu pudesse fazer gol, porque estava há muito tempo sem marcar. Como ia começar de titular, pedi e graças a Deus saiu o gol", contou.
Das escolinhas com meninos à Seleção
Natural de Garça, cidade do interior paulista com pouco mais de 40 mil habitantes, Nogueira começou sua história no futebol aos 5 anos, em um projeto social. Os primeiros passes foram dados ao lado de meninos, até que, aos 9 anos, migrou para o futsal feminino do Sejel Esportes.
Aos 13, veio a virada. A mãe viu um convite nas redes sociais para um teste na Ferroviária. Sem saber o que esperar, mãe e filha encararam o frio e a multidão de meninas no local.
"Eu estava confiante que ia passar e consegui. Passei com 13 anos e fui alojar com 14. Desde então, são quatro anos de Ferroviária", relembrou.
A primeira convocação para a Seleção veio ainda na categoria Sub-17, em um período de treinos em Bragança Paulista. "Eu estava realizando um sonho. Era algo muito novo para mim e a experiência foi muito boa", disse.
A irmã que nasceu de uma promessa
Fora de campo, Nogueira guarda uma história que mistura futebol, fé e família. Ela sempre insistia com a mãe para ter mais uma irmã. Até que veio a promessa:
"De tanto eu pedir uma irmã, teve um jogo do Paulista em que minha mãe falou que, se eu fizesse dois gols, ela me 'arrumaria' uma irmãzinha. Fui para o jogo, fiz dois gols e fiz uma comemoração pedindo minha irmã e aconteceu. Eu que escolhi o nome, Manuela."
A comemoração? Clássica. Nogueira buscou inspiração no gesto eternizado por Bebeto na Copa de 1994, embalando os braços como se fosse um bebê. A homenagem ao filho recém-nascido do ex-jogador virou símbolo também na vida da atacante.
Clássico sul-americano pela frente
Com a moral lá em cima após a estreia dos sonhos, Nogueira agora volta suas atenções para o clássico contra a Argentina, marcado para esta sexta-feira (13), às 18h (horário de Brasília), no Estádio Luís Alfonso Giagni, pelo Sul-Americano Sub-20.
Para a atacante, a rivalidade vai além do nome dos países.
"A expectativa é muito grande. A Argentina tem feito uma campanha excelente. São muito físicas, fortes e rápidas. Existe muita rivalidade", analisou.
Sobre o torneio até aqui, ela destacou a intensidade das partidas: "Acho que todos os times, não só o Brasil, têm muita raça e muita vontade. Você percebe muito confronto, essa é a principal característica."
O futuro
Com apenas 17 anos e uma história de superação que já rendeu frutos dentro e fora de campo, Nogueira é nome para se acompanhar de perto. Se depender da resiliência mostrada até aqui, do apoio da família e do talento com a bola nos pés, o "momento mais feliz da vida" pode ser reescrito mais algumas vezes

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