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Câmara pode votar projeto que amplia poder do Cade para regular gigantes da tecnologia

Proposta do governo permite que órgão de defesa da concorrência fiscalize práticas de plataformas digitais com faturamento acima de R$ 5 bilhões; oposição critica urgência em ano eleitoral

A Câmara dos Deputados pode votar nos próximos dias um pedido de urgência que acelera a tramitação do Projeto de Lei 4675/25, do Poder Executivo, que amplia os poderes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para regular a concorrência nos mercados digitais. Se aprovado o regime de urgência, a proposta poderá ir direto ao Plenário, sem passar pelas comissões temáticas da Casa.

O requerimento foi apresentado pelo deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG) e está na pauta há três sessões, mas ainda não foi votado por falta de consenso entre os líderes partidários.

O que o projeto propõe

O texto enviado pelo governo federal cria mecanismos específicos para que o Cade possa atuar sobre as grandes plataformas digitais — empresas de tecnologia que atuam em múltiplos setores da economia e utilizam dados pessoais dos usuários para direcionar publicidade e alavancar negócios.

Pela proposta, serão consideradas plataformas de relevância sistêmica aquelas com faturamento anual superior a R$ 5 bilhões no Brasil. Essas empresas poderão ser alvo de processos administrativos e sujeitas a sanções caso adotem práticas consideradas anticompetitivas, como:

  • Dificultar a entrada ou o crescimento de concorrentes no mercado

  • Favorecer seus próprios produtos em detrimento dos de outras empresas

  • Usar dados de usuários de forma a prejudicar a concorrência

O governo justifica a medida citando exemplos internacionais. Diversos países já aprovaram legislações semelhantes para conter o poder excessivo das big techs e garantir um ambiente de negócios mais equilibrado.

Divergências no Congresso

Enquanto a base governista defende a proposta como necessária para proteger a indústria nacional, a oposição critica a celeridade da tramitação e o contexto eleitoral.

O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição, classificou a iniciativa como uma interferência perigosa. "Vai ampliar o poder do Cade para sancionar as plataformas, com critérios amplos e pouco definidos, interferência potencial em modelos de negócio, risco de aumento de custos e barreiras à inovação", afirmou. "É um absurdo querer regular as redes sociais em pleno ano eleitoral", completou.

Já o relator do projeto, deputado Aliel Machado (PV-PR), rebateu as críticas e negou que o texto tenha relação com controle de conteúdo. "Em nenhuma vírgula trata de conteúdo. Ele é defendido pelas plataformas e pelos empresários brasileiros porque corrige o monopólio", disse.

Machado argumentou que a proposta cria instrumentos para evitar que poucas empresas decidam "qual empresa vai falir e qual não vai". Segundo ele, a medida segue tendência global de regulação dos mercados digitais e é defendida inclusive por setores do empresariado brasileiro.

Próximos passos

Se o requerimento de urgência for aprovado, o PL 4675/25 poderá ser votado diretamente no Plenário da Câmara nos dias seguintes. Caso contrário, seguirá o rito ordinário, passando por comissões antes de chegar ao voto dos deputados.

O projeto é considerado prioritário pelo governo, mas enfrenta resistência em um ano eleitoral, quando o debate sobre regulação de plataformas e liberdade de expressão ganha contornos ainda mais sensíveis.

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