Ministro da Saúde visita parque farmacêutico na Índia para firmar parcerias que garantam produção nacional de remédios de alta complexidade, como o pertuzumabe e a semaglutida
O Brasil deu um passo importante para ampliar sua autonomia na produção de medicamentos de alta complexidade. Nesta quinta-feira (19), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou o parque industrial da farmacêutica Biocon, em Bengaluru, na Índia, para conhecer de perto a tecnologia utilizada na fabricação de medicamentos biológicos e biossimilares.
O objetivo da missão é firmar acordos que permitam ao país produzir nacionalmente remédios essenciais para o tratamento de doenças como câncer, diabetes e obesidade, reduzindo a dependência de importações e ampliando o acesso da população a esses tratamentos.
Medicamentos estratégicos
Durante a visita, Padilha conheceu as instalações onde são produzidos medicamentos como o pertuzumabe, utilizado no tratamento do câncer de mama HER2-positivo, inclusive em estágio avançado. Trata-se de um biológico de alta complexidade, com custo elevado e demanda crescente no Brasil.
Outro foco da visita foram os processos de fabricação de medicamentos à base de GLP-1, como a semaglutida — conhecida popularmente como "caneta emagrecedora" —, indicada para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. Esses fármacos têm se tornado cada vez mais relevantes no cenário global de saúde pública.
"Estivemos em uma das maiores produtoras de medicamentos biológicos e biossimilares do mundo. São medicamentos modernos para tratamento do câncer, doenças autoimunes e crônicas que queremos produzir no Brasil. Uma parceria muito importante que vai garantir mais acesso à população brasileira e salvar vidas", afirmou o ministro.
Tecnologia e soberania
A Índia é considerada uma das potências farmacêuticas mundiais, com grande capacidade produtiva, investimento em inovação e avanço na área de saúde digital. A aproximação com o país, que integra o bloco dos BRICS, é vista pelo governo brasileiro como estratégica para o desenvolvimento do complexo industrial da saúde no Brasil.
Segundo Padilha, a expectativa é que a cooperação entre empresas brasileiras e indianas resulte em novos acordos de transferência de tecnologia e produção local. "É um importante avanço para cuidar da saúde e da soberania brasileira com esse grande parceiro", completou.
Hospitais inteligentes também estão na pauta
Além da visita à indústria farmacêutica, a comitiva brasileira conheceu a unidade hospitalar da rede Narayana Health, referência internacional no conceito de "hospital inteligente". A instituição utiliza tecnologias digitais avançadas, como prontuário eletrônico integrado, monitoramento remoto de pacientes e gestão hospitalar baseada em dados em tempo real.
O modelo interessa ao Brasil, que está estruturando a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes, iniciativa que integra o programa Agora Tem Especialistas, do Governo Federal. O projeto prevê a implantação inicial em 13 estados, com foco em UTIs e na criação de hospitais de emergência totalmente conectados.
"Estamos recebendo financiamento do Banco dos BRICS e firmando parcerias com hospitais que já utilizam esse conceito na China e na Índia. Essa cooperação vai consolidar uma parceria estratégica do Ministério da Saúde com a futura rede de cuidados no SUS", explicou Padilha.
Os estados contemplados na primeira fase do projeto são: Amazonas (Manaus), Pará (Belém), Bahia (Salvador), Piauí (Teresina), Ceará (Fortaleza), Pernambuco (Recife), Mato Grosso do Sul (Dourados), Distrito Federal (Brasília), Minas Gerais (Belo Horizonte), Rio de Janeiro (Rio de Janeiro), São Paulo (São Paulo), Paraná (Curitiba) e Rio Grande do Sul (Porto Alegre).
Próximos passos
A visita à Índia faz parte de uma agenda mais ampla do Ministério da Saúde para fortalecer o complexo industrial da saúde no Brasil. A expectativa é que os acordos discutidos durante a missão resultem em parcerias concretas nos próximos meses, com impacto direto na ampliação do acesso a medicamentos de alto custo no Sistema Único de Saúde (SUS).

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