Últimas notícias

6/recent/ticker-posts

Desigualdade Digital: Inteligência Artificial é Ferramenta de Elite no Brasil, Revela Pesquisa

Estudo do CGI.br mostra que uso de IA generativa chega a 69% na classe A, mas fica em apenas 16% nas classes D/E. Limitação de dados móveis e escolaridade são barreiras críticas.


Uma nova fronteira da exclusão social se revela no Brasil: o acesso à inteligência artificial. Embora 50 milhões de brasileiros (32% dos usuários de internet) já utilizem ferramentas de IA generativa, como chatbots, seu uso é marcado por uma profunda desigualdade. Enquanto 69% das pessoas da classe A empregam a tecnologia, essa proporção despenca para apenas 16% nas classes D e E.

Os dados são da Pesquisa TIC Domicílios 2025, divulgada nesta terça-feira (9) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). A disparidade também é educacional: 59% dos usuários com ensino superior usam IA, contra 17% daqueles com apenas o ensino fundamental.

“A expansão da IA evidencia os desafios da inclusão digital profunda no Brasil”, analisa Fabio Storino, coordenador da pesquisa. “O acesso à tecnologia não basta se a conectividade for limitada ou faltarem habilidades digitais. Os benefícios da IA, como ganhos de produtividade, podem continuar concentrados nos grupos que historicamente já têm mais oportunidades.”

Barreira da Conectividade: O Problema do “Pacote Acabou”

A desigualdade no uso da IA está diretamente ligada à qualidade do acesso à internet. A pesquisa aponta que aproximadamente 64 milhões de brasileiros (39% dos que têm celular) tiveram o pacote de dados móvel esgotado ao menos uma vez nos últimos três meses.

O problema é mais grave entre os mais pobres: 52% dos usuários de planos pré-pagos (modalidade mais comum nas classes D/E) enfrentaram essa limitação, que impede o uso contínuo de ferramentas online mais complexas, como as de IA.

“Não basta simplesmente ter acesso; é preciso que a qualidade desse acesso permita às pessoas se apropriarem dos benefícios do ambiente online”, reforça Storino.

Outros Destaques da Pesquisa TIC Domicílios 2025

  • Internet Fixa: Houve avanço, com 86% dos domicílios conectados (alta de 3 pontos percentuais) e 76% com banda larga fixa.

  • Pix: Consolidou-se como principal ferramenta digital, usado por 75% dos internautas. No entanto, também reflete desigualdade: é quase universal na classe A (98%), mas cai para 60% nas classes D/E.

  • Governo Digital: 71% dos usuários com 16 anos ou mais acessaram serviços de governo eletrônico. A plataforma Gov.br foi usada por 56% dessa faixa etária.

  • Apostas Online: Cerca de 30 milhões de brasileiros (19% dos internautas com 10 anos ou mais) já fizeram apostas online. A prática é mais comum entre homens (25%) do que mulheres (14%).

“Temos cerca de 30 milhões de pessoas acima dos 10 anos que já realizaram algum tipo de aposta online. É um número alarmante”, alerta Renata Mielli, coordenadora do CGI.br. “Isso reforça a urgência de mecanismos regulatórios e de literacia digital sobre os riscos dessas práticas.”

A pesquisa, realizada entre março e agosto de 2025, ouviu mais de 27 mil domicílios e 24 mil indivíduos, fornecendo um retrato detalhado da evolução digital e dos novos desafios de inclusão no país.

Postar um comentário

0 Comentários