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Hong Kong Vive sua Maior Tragédia: Incêndio em Tai Po deixa 65 Mortos e Centenas de Desaparecidos

Fogo que começou em andaimes de bambu consumiu complexo de apartamentos e se tornou o mais letal da história da região, superando marca de 1957; investigação aponta para materiais inflamáveis e negligência.

HONG KONG – Um incêndio de proporções catastróficas no complexo residencial Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, em Hong Kong, na tarde desta quarta-feira (26 de novembro de 2025), se tornou o mais mortal da história da região. As autoridades confirmaram pelo menos 65 mortes, incluindo um bombeiro, 77 feridos e 279 pessoas desaparecidas, em um balanço que ainda pode piorar.

O fogo, classificado no nível máximo de alerta (5 alarmes), iniciou-se nas redes de proteção verdes que cobriam os andaimes de bambu de um dos prédios e se alastrou com velocidade "incomum", engolfando múltiplos blocos de 31 andares do conjunto habitacional.

Como o Incêndio se Alastrou

O sinistro começou por volta das 14h51 (horário local) no edifício Wang Cheong House. As chamas, alimentadas por condições climáticas secas – um alerta de perigo de incêndio estava em vigor – e pela presença massiva de bambu e redes plásticas, rapidamente penetraram nos apartamentos e saltaram para outros prédios.

O secretário de Segurança, Chris Tang, afirmou que a velocidade da propagação foi "incomum", sugerindo que materiais de proteção inadequados podem ter sido um fator crucial. Mais de 128 caminhões de bombeiros e 767 socorristas foram mobilizados para o local, em uma luta contra o fogo que durou mais de 15 horas para ser controlado.

Vítimas e Herói

Entre os 65 mortos confirmados, está o bombeiro Ho Wai Ho, de 37 anos, um veterano de nove anos do Corpo de Bombeiros de Hong Kong. Ele perdeu contato com sua equipe meia hora após chegar ao local e foi encontrado com queimaduras no rosto. Sua morte em serviço comoveu a população.

Além disso, trabalhadores migrantes da Indonésia e das Filipinas estão entre as vítimas fatais, feridas e desaparecidas, refletindo a diversidade demográfica do complexo.

Investigações e Possíveis Causas

A polícia prendeu três homens, incluindo diretores e um consultor de uma construtora, sob suspeita de homicídio culposo. As investigações iniciais apontam graves violações de segurança:

  • Uso de placas de isopor (material altamente inflamável) para cobrir janelas, o que teria acelerado a propagação das chamas.

  • Redes de proteção e lonas que não cumpriam os padrões de resistência ao fogo.

Uma superintendente da polícia, Eileen Chung, afirmou que há indícios de "negligência grosseira" por parte do contratante responsável pelas obras de renovação.

Contexto e Alerta Ignorado

O Wang Fuk Court, construído em 1983, passava por grandes reparos mandatórios. A obra escolhida, no valor de HK$ 330 milhões, envolvia a reconstrução das paredes externas, deixando todos os oito prédios envoltos em andaimes de bambu e redes verdes.

Este material tradicional, porém perigoso, já era um problema conhecido. Em março de 2025, o governo anunciou planos para substituir o bambu por andaimes metálicos, citando seu risco de combustão e acidentes. Em outubro do mesmo ano, um grande incêndio em outro prédio comercial já havia levantado alertas sobre a segurança das redes em obras.

Resposta de Emergência e Solidariedade

O chefe do executivo, John Lee, ativou o centro de crise do governo. Abrigos temporários foram abertos em escolas e centros comunitários para abrigar mais de 1.000 residentes evacuados.

A sociedade civil e empresas também se mobilizaram. A Cruz Vermelha montou linhas de apoio psicológico, redes de hotéis ofereceram hospedagem gratuita e até a rede McDonald's distribuiu refeições para os desabrigados.

A tragédia em Tai Po expõe falhas críticas na segurança de construções e deixa uma marca profunda em Hong Kong, en

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