Porto Velho/RO – Rondônia foi o palco da mais recente edição do projeto Diálogos com as Juventudes, uma iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que está percorrendo o país para ouvir e valorizar a voz das novas gerações. Com atividades nas cidades de Porto Velho e Ariquemes, o projeto abriu espaço para que estudantes debatessem temas urgentes como racismo estrutural, direitos humanos, tecnologia e acesso à Justiça.
Esta é a quarta etapa do projeto, que já passou por estados como Mato Grosso, Sergipe e Espírito Santo, sempre com o objetivo de criar uma ponte entre o Poder Judiciário e a realidade dos jovens brasileiros.
Escuta Ativa e Aprendizado Mútuo
Os encontros em Rondônia aconteceram em dois dias. Na quinta-feira (6/11), foi a vez dos alunos da Escola Estadual Murilo Braga, na capital. Na sexta-feira (7/11), o projeto seguiu para Ariquemes, onde estudantes da Escola Estadual Heitor Villa-Lobos deram continuidade às discussões. No total, mais de 100 jovens participaram das atividades.
Durante a abertura do evento em Porto Velho, o desembargador Alexandre Miguel, diretor da Escola da Magistratura de Rondônia (Emeron), enfatizou a importância da participação juvenil. “Este projeto é muito significativo porque fala diretamente sobre cidadania e direitos humanos. Saibam o quanto vocês são importantes. Nós, do Judiciário, unimos esforços com o CNJ e o PNUD para estar aqui, valorizando a participação de vocês na construção de um futuro melhor”, declarou.
Debates que Inspiram Mudança
Para facilitar o diálogo, magistradas do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO) conduziram dinâmicas interativas com os estudantes. Um dos momentos mais impactantes foi a discussão sobre racismo estrutural, que usou como ponto de partida a música “Negro Drama”, dos Racionais MCs, lançada há mais de 20 anos.
A letra da canção, que retrata a realidade da população negra no Brasil, mostrou-se ainda atual e provocou reflexões profundas entre os jovens. “Se formos prestar atenção, tudo isso que eles falam é realmente para tentar abrir a mente das pessoas”, observou um estudante. Outro aluno complementou: “O racismo estrutural na nossa sociedade acontece até mesmo depois que as pessoas morrem”.
As juízas também apresentaram e explicaram leis importantes, como a Lei nº 14.532/2023, que tipifica os crimes de racismo e injúria racial.
Uma Ponte Chamada Diálogo
O Diálogos com as Juventudes é uma ação do programa Justiça Plural, fruto de uma cooperação internacional entre o CNJ e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A proposta central é, justamente, aproximar o sistema de Justiça das vivências dos jovens.
A execução do projeto conta com a parceria técnica da ONG Viração, especialista em educomunicação, que ajudou a desenvolver materiais educativos e cartilhas utilizadas nas escolas.
A previsão é que, ainda este ano, o projeto leve sua missão de transformar escuta em ação para o Distrito Federal, continuando a reforçar o protagonismo juvenil como ferramenta essencial para a cidadania.

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