Após cinco anos de análises, licença ambiental permite pesquisa exploratória no bloco FZA-M-059, no Amapá. Estatal investiu em centros de emergência e proteção à fauna para viabilizar projeto.
*Autorização para pesquisa exploratória no bloco FZA-M-059, a 175 km da costa do Amapá, foi concedida após rigoroso processo que incluiu audiências públicas e simulado de emergência*
RIO DE JANEIRO – A Petrobras recebeu licença do Ibama para iniciar a perfuração de um poço de pesquisa na Margem Equatorial, região considerada a nova fronteira exploratória de petróleo no país. A autorização, anunciada nesta segunda-feira (20), permite que a estatal comece "imediatamente" os trabalhos no bloco FZA-M-059, localizado em águas profundas do Amapá.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, classificou a conquista como "uma vitória da sociedade brasileira" e destacou que a empresa comprovou "a robustez de toda a estrutura de proteção ao meio ambiente". A licença foi emitida após cinco anos de diálogo com órgãos ambientais e dois meses após a fase final de avaliação pré-operacional.
Processo Rigoroso e Exigências Ambientais
O Ibama enfatizou que a licença só foi concedida após um "rigoroso processo de licenciamento ambiental", que incluiu:
Elaboração de Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA)
Três audiências públicas
65 reuniões técnicas em mais de 20 municípios do Pará e Amapá
Vistorias em todas as estruturas de emergência
Simulado com mais de 400 pessoas
Após a negativa de 2023, a Petrobras implementou melhorias significativas no projeto, incluindo a construção de um novo centro de atendimento à fauna em Oiapoque (AP), que se soma ao já existente em Belém.
Próximos Passos e Potencial da Região
A perfuração inicial tem duração estimada em cinco meses e visa coletar dados geológicos para confirmar a existência de petróleo e gás em escala econômica. "Não há produção de petróleo nessa fase", ressaltou a Petrobras.
A Margem Equatorial é considerada estratégica para o futuro energético do Brasil. Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que a Bacia da Foz do Amazonas pode abrigar até 10 bilhões de barris de óleo equivalente.
Controvérsias e Perspectivas
O projeto enfrenta críticas de ambientalistas, que alertam para os riscos à biodiversidade e questionam a coerência com a transição energética. A Petrobras defende a exploração como necessária para evitar que o país precise importar petróleo na próxima década e ressalta que o local de perfuração fica a 540 km da foz do rio Amazonas.
A operação será monitorada de perto pelo Ibama, que realizará novo exercício simulado de emergência durante a perfuração, com foco especial nas estratégias de proteção à fauna marinha.
Reportagem: Bruno de Freitas Moura
Agência Brasil

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