Segunda fase da Operação Arigós determina bloqueio de bens que superam R$ 605 milhões, visando reparar dano ambiental de área equivalente a 11 mil campos de futebol na Estação Ecológica Soldados da Borracha.
Porto Velho, RO – O Ministério Público de Rondônia (MPRO) deu um passo decisivo para desarticular financeiramente uma associação criminosa especializada em crimes ambientais. Nesta terça-feira (7), foi deflagrada a segunda fase da Operação Arigós, com o objetivo de cumprir medidas cautelares que bloqueiam bens no valor de R$ 605,1 milhões, pertencentes a 12 pessoas denunciadas.
A ação, que conta com a participação de 25 agentes, é conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e pelo Nucam (Núcleo de Combate ao Crime Ambiental), com apoio da Polícia Civil e do DER/RO. A decisão judicial, da 3ª Vara Criminal de Porto Velho, determina uma série de restrições para impedir a continuidade das atividades ilegais e assegurar a futura reparação do dano ambiental.
Dano Ambiental de Grande Magnitude
As investigações, que culminaram na ação penal, comprovaram que o grupo atuava no interior da Estação Ecológica Soldados da Borracha, uma unidade de conservação de proteção integral localizada na região de Porto Velho, Cujubim e Machadinho do Oeste.
Os investigados foram responsáveis pelo desmatamento de 8.023 hectares de mata nativa – uma área equivalente a mais de 11 mil campos de futebol. O valor do dano ambiental foi calculado em R$ 605.111.082,57, montante que as medidas cautelares buscam assegurar.
Estratégia Criminosa e Bloqueio de Bens
Para operar, a organização utilizava uma sofisticada estrutura de "laranjas" (interpostas pessoas) para fraudar contratos de compra e venda. A intenção era ocultar a identidade dos verdadeiros líderes e beneficiários, burlando a responsabilização civil, criminal e administrativa.
Além da indisponibilidade de bens móveis e imóveis, a decisão judicial determina:
- Apreensão de veículos, máquinas pesadas e equipamentos agrícolas.
- Sequestro do gado (semoventes).
- Suspensão imediata de todas as atividades agropecuárias dos investigados.
- Proibição de entrada e circulação na Estação Ecológica.
- Desativação de cadastros no CARF.
Proibição de emissão de Guias de Transporte Animal (GTAs).
Com essas medidas, o MPRO visa cortar o fluxo financeiro da organização, coibindo a exploração da atividade econômica ilícita e garantindo que os bens sejam preservados para a necessária reparação ambiental.
A operação reforça o compromisso institucional no combate ao crime organizado ambiental, assegurando a proteção dos recursos naturais para as presentes e futuras gerações.
Fonte: Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO).

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