Brasília, DF – A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (22) o envio ao Senado do PL 3640/23, que estabelece novas regras para o julgamento de ações de controle de constitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF). Por 344 votos a 95, os deputados rejeitaram um recurso do partido Novo que pedia a análise do projeto em plenário, mantendo sua tramitação conclusiva pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A proposta, relatada pelo deputado Alex Manente (Cidadania-SP), cria prazos e procedimentos para ações como as Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) e representa uma das maiores mudanças no funcionamento do STF dos últimos anos.
Principais Medidas do Projeto
Entre as inovações mais significativas do texto aprovado estão:
Prazo de 12 meses para julgamento de ações de constitucionalidade, prorrogável de forma justificada
Exigência de quórum de 2/3 dos ministros (8 votos) para modular efeitos das decisões
Limitação de decisões monocráticas, que deverão ser submetidas ao plenário na sessão seguinte
Restrição de acesso de partidos pequenos ao STF, mediante cláusula de desempenho
Disputa entre Grandes e Pequenos Partidos
Um dos pontos mais polêmicos é a exigência da cláusula de desempenho para que partidos possam propor ADIs. Segundo a regra, apenas legendas com mínimo de 13 deputados distribuídos em um terço dos estados, ou 2,5% dos votos válidos na última eleição, terão esse direito.
O relator Alex Manente defendeu a medida:
"Partidos, sindicatos, associações e entidades que não têm caráter nacional não conseguirão mais acionar o STF. O projeto vai corrigir distorções".
Já partidos com menor representação criticaram a mudança. A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) afirmou:
"Tem uma maioria que quer inviabilizar partidos combativos como o nosso de atuar no Supremo".
Reações no Plenário
O projeto dividiu opiniões na Câmara:
Apoiadores: Líderes do PT, MDB e PL defenderam o texto como forma de dar mais transparência e equilíbrio ao STF
Críticos: Representantes de partidos menores argumentam que a proposta cria "partidos de primeira e segunda categoria"
O texto agora segue para análise do Senado Federal, onde deverá passar por nova rodada de debates e votações antes de poder ser sancionado

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